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LER - LESÃO POR ESFORÇO REPETITIVO

  • O QUE É LER?

LER (ou L.E.R.) é a abreviatura de Lesão por Esforço Repetitivo (em Inglês RSI (Repetitive Strain Injury) ou, ainda em Português, Dano de Esforço Repetitivo. Representa uma síndrome de dor nos membros superiores, com queixa de grande incapacidade funcional, causada primariamente pelo próprio uso das extremidades superiores em tarefas que envolvem movimentos repetitivos ou posturas forçadas. Também é conhecido por L.T.C. (Lesão por Trauma Cumulativo) e por D.O.R.T. (Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho), mas na realidade entre todos estes nomes talvez o mais correto tecnicamente seria o de Síndrome da Dor Regional. Contudo, como o nome LER se tornou comum e até popular, esta é a denominação adotada no Brasil, apesar de bastante imprópria, pois relaciona sempre tais manifestações com certas atividades no trabalho. Portanto, LER não é uma doença, é um fenômeno social/político/trabalhista. O diagnóstico diferencial deve excluir as tendinites e tenossinovites secundárias a outras patologias, como reumatismo, esclerose sistêmica, gota, infecções gonocócicas, traumática, gravidez, osteoartrite, diabetes, mixedema, etc.

As lesões inflamatórias causadas por esforços repetitivos já eram conhecidos desde a antiguidade sob outros nomes, como por exemplo, na Idade Média, a "Doença dos Escribas", que nada mais era do que uma tenossinovite, praticamente desaparecendo com a invenção da imprensa. Já em 1891, De Quervain descrevia o "Entorse das Lavadeiras".



  • PRINCIPAIS PONTOS ACOMETIDOS:

- coluna cervical;
- ombros;
- punhos;
- antebraços;
- coluna lombar.

  • QUAIS AS CAUSAS DA LER/DORT?
    Existem inúmeras causas que levam a LER/DORT, sendo que as mais comuns estão associadas a fatores emocionais, tensão, estresse psicológico, estilo de vida e fatores ergonômicos desfavoráveis, tais como :

    - ambiente de trabalho barulhento, frio, pouco
    iluminado e mal ventilado;
    - ritmo cansativo,acelerado para garantir produção,
    horas extras;
    - mobiliários inadequados;
    - posturas forçadas, incorretas devido a postos de
    trabalho, máquinas inadequadas e equipamentos
    com defeito, e muitas vezes com tempo excessivo
    na mesma posição.

 

  • QUAIS AS FUNÇÕES QUE MAIS OFERECEM RISCO?
    Qualquer movimento repetitivo associado à postura, digitação, montagem leve, operação de máquinas em geral, empacotamento, selecionadores e expedição, entre outros, podem colocar os empregados sob risco de LER, tais como a Síndrome do Túnel do Carpo, tenossinovites, tendinites, etc.
    Dentre os candidatos de maior risco, no escritório, para as LER, estão os datilógrafos, digitadores, separadores de correspondência, caixas de bancos e supermercados e qualquer um cuja função envolva movimentos repetidos do punho, má postura, força, entre outros fatores.

 

  • QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA LER/DORT?
    - sensação de dormência, formigamento, cansaço nos membros ou
    sensação de peso;
    - inchaço, choques, diminuição da força muscular;
    dificuldade de movimentação, desconforto.

 

  • FASES

Fase 1 - Apenas queixas maldefinidas e subjetivas, melhorando com repouso.

Fase 2 - Dor regredindo com repouso, apresentando poucos sinais objetivos.

Fase 3 - Exuberância de sinais objetivos, e não desaparecendo com repouso.

Fase 4 - Estado doloroso intenso com incapacidade funcional (não necessariamente permanente)

  • ESTÁGIOS

Em 1984, a classificação de Browe, Nolan e Faithfull divide a LER em estágios:

Estágio 1 - Dor e cansaço nos membros superiores durante o turno de trabalho, com melhora nos fins de semana, sem alterações no exame físico e com desempenho normal.

Estágio 2 - Dores recorrentes, sensação de cansaço persistente e distúrbio do sono, com incapacidade para o trabalho repetitivo.

Estágio 3 - Sensação de dor, fadiga e fraqueza persistentes, mesmo com repouso. Distúrbios do sono e presença de sinais objetivos ao exame físico.

  • GRAUS

Dennet e Fry, em 1988, classificaram a doença, de acordo com a localização e fatores agravantes:

Grau 1 - Dor localizada em uma região, durante a realização da atividade causadora da síndrome. Sensação de peso e desconforto no membro afetado. Dor espontânea localizada nos membros superiores ou cintura escapular, às vezes com pontadas que aparecem em caráter ocasional durante a jornada de trabalho e não interferem na produtividade. Não há uma irradiação nítida. Melhora com o repouso. É em geral leve e fugaz, e os sinais clínicos estão ausentes. A dor pode se manifestar durante o exame clínico, quando comprimida a massa muscular envolvida. Tem bom prognóstico.

Grau 2 - Dor em vários locais durante a realização da atividade causadora da síndrome. A dor é mais persistente e intensa e aparece durante a jornada de trabalho de modo intermitente. É tolerável e permite o desempenho da atividade profissional, mas já com reconhecida redução da produtividade nos períodos de exacerbação. A dor torna-se mais localizada e pode estar acompanhada de formigamento e calor, além de leves distúrbios de sensibilidade. Pode haver uma irradiação definida. A recuperação é mais demorada mesmo com o repouso e a dor pode aparecer, ocasionalmente, quando fora do trabalho durante outras atividades. Os sinais, de modo geral, continuam ausentes. Pode ser observado, por vezes, pequena nodulação acompanhando bainha de tendões envolvidos. A palpação da massa muscular pode revelar hipertonia e dolorimento. Prognóstico favorável.

Grau 3 - Dor desencadeada em outras atividades da mão e sensibilidade das estruturas; pode aparecer dor em repouso ou perda de função muscular; a dor torna-se mais persistente, é mais forte e tem irradiação mais definida. O repouso em geral só atenua a intensidade da dor, nem sempre fazendo-a desaparecer por completo, persistindo o dolorimento. Há frequentes paroxismos dolorosos mesmo fora do trabalho, especialmente à noite. É frequente a perda de força muscular e parestesias. Há sensível queda da produtividade, quando não impossibilidade de executar a função. Os sinais clínicos estão presentes, sendo o edema frequente e recorrente; a hipertonia muscular é constante, as alterações de sensibilidade estão quase sempre presentes, especialmente nos paroxismos dolorosos e acompanhadas de manifestações como palidez, hiperemia e sudorese das mãos. A mobilização ou palpação do grupo muscular acometido provoca dor forte. Nos quadros com comprometimento neurológico compressivo a eletromiografia pode estar alterada. Nessa etapa o retorno à atividade produtiva é problemático.

Grau 4 - Dor presente em qualquer movimento da mão, dor após atividade com um mínimo de movimento, dor em repouso e à noite, aumento da sensibilidade, perda de função motora. Dor intensa, contínua, por vezes insuportável, levando o paciente a intenso sofrimento. Os movimentos acentuam consideravelmente a dor, que em geral se estende a todo o membro afetado. Os paroxismos de dor ocorrem mesmo quando o membro está imobilizado. A perda de força e a perda de controle dos movimentos se fazem constantes. O edema é persistente e podem aparecer deformidades, provavelmente por processos fibróticos, redizindo também o retorno linfático. As atrofias, principalmente dos dedos, são comuns. A capacidade de trabalho é anulada e os atos da vida diária são também altamente prejudicados. Nesse estágio são comuns as alterações psicológicas com quadros de depressão, ansiedade e angústia.


COMO PREVENIR?

Abaixo algumas dicas de BOA POSTURA PARA EVITAR LESÕES:

Para levantar um peso: Coloque-se em frente ao peso, o mais perto possível, afastando os pés e flexionando as pernas; para se levantar, mantenha o tronco reto, pés juntos ao solo, expelindo ar dos pulmões, assim o trabalho dos músculos é menor.
Cuidado: Nunca dobre as costas, pois exige dos músculos um grande esforço para endireitá-las e suas vértebras correm o risco de ficar sem proteção.

Como carregar volumes (bolsas, sacolas, etc): Inicialmente observe as condições do piso para evitar tropeções e escorregões enquanto transporta a carga. Para não sobrecarregar os músculos, que devem equilibrar as costas, divida o volume em dois, um em cada mão, sempre que possível.
Cuidado: Nunca carregue peso na cabeça, pois leva a problemas da coluna cervical.

Como deslocar o carrinho: Para deslocar um carrinho carregado, você deve empurrá-lo; para melhor distribuição do peso, utilize as duas mãos, mantendo a coluna reta. NUNCA PUXE. É INCORRETO.

Como evitar a hiperextensão dos membros superiores: Para colocar/retirar qualquer objeto acima do nível dos ombros, utilize um suporte adequado ou escada para atingir o local e a altura desejada.

Como movimentar cargas na lateral: Evite girar sua coluna com os pés fixos, seja sentada ou em pé. Procure mudar os pés de posição em direção ao movimento desejado.

Como trabalhar no computador: Sente corretamente, apóie os 2/3 da coluna vertebral e mantenha os ombros relaxados e alinhados com a cabeça, as pernas em paralelo sem cruzar, auxiliando a circulação e a postura da coluna; mantenha o monitor centralizado e a parte superior da tela na altura dos olhos, para diminuir a tensão no pescoço;pulso apoiado na mesa, em posição neutra, nem muito para cima e nem para baixo; braço e antebraço devem formar ângulo de 90º; pés sempre apoiados no chão ou em suporte próprio.

LEMBRE-SE: Não digite por mais de duas horas seguidas. Faça intervalos de cinco minutos a cada meia hora.

Para evitar o desconforto visual das telas de computador: Pisque com freqüência, prefira óculos ao invés de lentes de contato (devido ao ressecamento dos olhos) e para cada hora de trabalho, descanse cinco minutos, fechando os olhos por instantes.

Como se organizar no trabalho: Organize o local de trabalho de forma a permitir a liberdade dos movimentos, colocando os materiais de uso constante perto de você e não longe das mãos ou da mesa de trabalho, evitando ter que se curvar ou se afastar para poder pegá-los. Planeje a jornada de trabalho de acordo com o ritmo do corpo, através da organização das tarefas a serem realizadas que não devem forçar um só padrão de movimento, evitando que se tornem prolongadas com movimentos repetitivos. Estabeleça períodos de pausa a fim de evitar a sobrecarga músculo-esquelética e a fadiga mental. Se você exerce tarefas repetitivas, a Lei determina que a cada 50 minutos deve-se fazer 10 minutos de pausa.

Evite as seguintes posturas: Inclinar o corpo sobre a mesa de trabalho quando estiver de pé ou sentado; empurrar ou puxar gavetas "emperradas"; manter os ombros elevados por muito tempo; apoiar os antebraços nas quinas dos mobiliários; comprimir os cotovelos em superfícies duras - os cotovelos devem ficar na altura da mesa de trabalho; apoiar o telefone no seu ombro, forçando o pescoço; sentar-se "torto" na cadeira - procure sentar-se alinhado ajustando a cadeira em suas costas; forçar o pescoço somente para um lado - se você adota esta postura, procure colocar as atividades a sua frente e não ao seu lado; trabalhar com sapatos de saltos muito altos - pode provocar dores lombares; sentar-se de modo que seus pés fiquem suspensos - procure utilizar sempre um apoio adequado à sua altura ou ajuste a sua cadeira; sentar-se em cadeiras muito altas ou muito baixas; permanecer em uma mesma postura por longos períodos - procure levantar-se de tempos em tempos, faça movimentos contrários à tarefa; manusear objetos em prateleiras muito altas - utilize uma escada segura e adequada.

 


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