Ficção: é o
discurso narrativo
ou representação ou
fábula que nos
remete a uma
construção subjetiva
em que figuram
entidades, ações e
situações que formam
um todo organizado
não veraz.
Universo ficcional:
é uma criação
subjetiva intuída a
partir de uma
ficção, formado por
entidades, ações e
situações formando
um todo organizado e
hipotético. O
discurso narrativo
ou representação ou
fábula é o ponto de
partida para a
construção do
universo ficcional,
que não é dado em
si, mas por
aspectos. Podemos
até imaginar o
universo ficcional
se estendendo para
além de onde é
possível ver pela
janela do discurso.
Mera divagação! O
que extrapolamos
para além dos dados
do discurso é por
nossa conta e risco,
o que não deixa de
ser saudável em
certos casos. Se o
discurso nos remete
a um universo
ficcional, em certos
aspectos análogo ao
universo objetivo,
diremos que ele
possui uma dimensão
realista, o que para
a Mimética é
um atributo
contingente.
Situação: é a
ordem dos elementos
do universo
ficcional em dada
coordenada de tempo
ficcional.
Ação: são as
mudanças que ocorrem
no universo
ficcional. A ação
pode ter vários
aspectos:
Consumada:
efetivamente
ocorrida no universo
ficcional.
Hipotética:
supõe-se consumada,
mas no decorrer da
narrativa pode se
mostrar como não
consumada no
universo ficcional.
Imaginária:
fruto de uma ficção
dentro da ficção
estabelecida por
algum dos agentes da
ficção.
Representada:
os agentes da ficção
representam dentro
da ficção.
Onírica:
resulta do sonho de
um dos agentes da
ficção.
Ação cardeal:
compromete a
inteligibilidade da
fábula, quando
suprimida.
Proposição: é
a tripla situação
anterior, ação,
situação posterior.
Episódio: é
qualquer fragmento
de narração formado
por pelo menos uma
proposição. Alguns
tipos notáveis de
episódio:
Inversão de
tendência:
podemos
exemplificá-la
citando o herói que
consegue inverter as
expectativas que
apontavam para o seu
fracasso em
expectativa para sua
vitória. É um tipo
de episódio útil
para a obtenção de
clímax. Esse exemplo
chama-se peripécia.
Revelação: ocorre
quando um dos
agentes da narração
- que pode ser o
narratário, o
personagem ou leitor
- toma conhecimento
de um fato que
redireciona os
caminhos da ação. Um
caso de revelação é
o reconhecimento,
onde um dos agentes
da narração toma
conhecimento da
identidade de outro.
Catástrofe: é
o fato de dimensões
trágicas no universo
ficcional. Na
tragédia grega, por
exemplo, ocorre
catástrofe no
clímax.
Confronto: é
o encaminhamento
irreconciliável para
a disputa entre dois
agentes da
narrativa.
Dano: é o
fato que cria um
desequilíbrio no
universo ficcional
que por vezes
condiciona toda a
ação.
Núcleo narrativo:
é uma parte da
narrativa em que se
prioriza a abordagem
de determinado
objeto. O tipo mais
comum e notável de
núcleo é o que se
desenvolve em função
de personagens. No
romance Cem Anos de
Solidão, de Garcia
Marquez, por
exemplo, há vários
núcleos narrativos,
cada um ligado a um
dos personagens do
romance. Nesse
romance, o narrador
acompanha a história
de um personagem de
cada vez. Podemos
dizer que isso
caracteriza um
núcleo. A peça
teatral ‘Peer Gynt’,
de Ibsen, em três
atos, passa-se em
três épocas,
respectivamente:
infância, idade
adulta e velhice do
protagonista. Cada
ato se constitui num
núcleo. Pode-se
dizer que uma parte
da narrativa é um
núcleo, desde que
nela seja preservada
a característica da
parte. Para não se
enxergar núcleos e
mais núcleos numa
narrativa é preciso
considerar apenas as
priorizações de
abordagem mais
gerais. Não há uma
baliza precisa para
determinar que nível
de generalização
deve ser empregado
para caracterizar um
núcleo, por isso a
determinação dele é
uma questão
subjetiva.
Narração em tempo
real: é aquela que
hipoteticamente
ocorre paralela à
ação. Há
coincidência de
época de ação com
época de narração.
Narração
pretérita: é a que
supostamente ocorre
após a consumação
dos fatos narrados.
O narrador a pratica
livre das
contingências do
momento da ação,
rememorando os
fatos.