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/Linguística/
O estudo científico da linguagem verbal humana. |
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Análise do Discurso
ou Análise de
Discursos é uma
prática e um campo
da lingüística e da
comunicação
especializado em
analisar construções
ideológicas
presentes num texto.
É muito utilizada,
por exemplo, para
analisar textos da
mídia e as
ideologias que
trazem em si. A
Análise do Discurso
é proposta a partir
da filosofia
materialista que põe
em questão a prática
das ciências humanas
e a divisão do
trabalho
intelectual, de
forma reflexiva. De
acordo uma das
leituras possíveis,
discurso é a prática
social de produção
de textos. Isto
significa que todo
discurso é uma
construção social,
não individual, e
que só pode ser
analisado
considerando seu
contexto
histórico-social,
suas condições de
produção; significa
ainda que o discurso
reflete uma visão de
mundo determinada,
necessariamente,
vinculada à do(s)
seu(s) autor(es) e à
sociedade em que
vive(m).
Texto, por sua
vez, é o produto da
atividade
discursiva, o objeto
empírico de análise
do discurso; é a
construção sobre a
qual se debruça o
analista para
buscar, em sua
superfície, as
marcas que guiam a
investigação
científica. É
necessário porém
salientar, que o
objeto da Análise do
Discurso é o
Discurso.
Contexto
Contexto é a
situação
histórico-social de
um texto, envolvendo
não somente as
instituições
humanas, como ainda
outros textos que
sejam produzidos em
volta e com ele se
relacionem. Pode-se
dizer que o contexto
é a moldura de um
texto. O contexto
envolve elementos
tanto da realidade
do autor quanto do
receptor — e a
análise destes
elementos ajuda a
determinar o
sentido. A
interpretação de um
texto deve, de
imediato, saber que
há um autor, um
sujeito com
determinada
identidade social e
histórica e, a
partir disto, situar
o discurso como
compartilhando desta
identidade.
Ordem de
Discursos
Uma ordem de
discursos é um
conjunto ou série de
tipos de discursos,
definido socialmente
(Foucault) ou
temporalmente
(Fairclough), a
partir de uma origem
comum. São os
discursos produzidos
num mesmo contexto
de uma instituição
ou comunidade, para
circulação interna
ou externa e que
interagem não apenas
entre eles, mas
também com textos de
outras ordens
discursivas,
(intertextualidade).
Sua importância para
a Análise do
Discurso está em
contextualizar os
discursos como
elementos
relacionados em
redes sociais e
determinados
socialmente por
regras e rituais,
bem como
modificáveis na
medida em que lidam
permanentemente com
outros textos que
chegam ao emissor e
o influenciam na
produção de seus
próprios discursos.
Universo de
Concorrências
O universo de
concorrências ou
mercado simbólico é
o espaço de
interação discursiva
no qual discursos de
diferentes emissores
se dirigem ao mesmo
público receptor:
por exemplo,
diferentes marcas de
cerveja apelando ao
mesmo segmento de
mercado (homens
entre 20-45 anos,
classes A/B,
solteiros). A
concorrência ocorre
quando cada um
destes discursos
tenta "ganhar" o
receptor, "anulando"
os demais ou
desarticulando seus
argumentos ou
credibilidade em seu
próprio favor. O
modo de interpelar o
receptor definirá as
características do
seu discurso
(posicionamento
competitivo) e
determinará seu
êxito ou insucesso.
Dificuldades da
Contextualização
A
contextualização de
um discurso é
dificultada por,
fundamentalmente,
três itens:
a relação de
causalidade entre
características de
um texto e a
sociedade não é
entre dois elementos
distintos A -> B, um
causa e outro
conseqüência, mas é
dialética, ou seja,
a continência de um
pelo outro é uma
relação
contraditória.
pelo mesmo
raciocínio, os
discursos (esfera da
superestrutura) não
sofrem apenas os
determinantes
econômicos (esfera
da infraestrutura),
mas também
culturais, sexuais,
etários etc..
o não-imediatismo da
passagem da análise
semiológica para a
interpretação
semântica, ou seja:
não basta demarcar e
classificar as
palavras para
imediatamente
interpretar seus
significados. É
preciso considerar o
máximo possível de
variáveis presentes
no contexto.
Discurso Estético
A teoria do
Discurso Estético
parte do princípio
de que, se a imagem
também é um texto, e
há discurso das
imagens, não apenas
semântico, deve
haver discurso
estético, sintático,
perceptivel não
logicamente, mas
esteticamente.
Teoricamente, há
estética em tudo.
Todas as formas
existentes são
passíveis de
percepção estética
-- logo, de
apreciação e
informação. Por
isso, o que falamos
pode ser chamado de
um “discurso
estético” ou
discurso das
imagens, que se dê
pela percepção
estética,
não-lógica, de
determinados valores
ideológicos
inculcados e
identificáveis por
meio de suas marcas
de enunciação e
interpelação. No
caso das imagens,
tais marcas podem
ser encontradas,
entre outros modos,
por meio da Análise
da Imagem e das leis
da Teoria da
Percepção.
É possível, por
exemplo, analisar
linhas de formas,
texturas, cores, nas
imagens produzidas
por uma sociedade,
uma instituição ou
um período, e a
partir destas marcas
encontrar formas de
interpelação
(posicionamento &
poder) e
valorizações de
determinados
conceitos que são
fundamentalmente
ideológicos.
A idéia do
discurso como
“transmissor” de
ideologia é aplicada
às formas de Arte e
de Comunicação
Visual mais
recentemente, em
virtude da evolução
das relações de
produção, que vem
distanciando quem
cria de quem produz.
Na história da
feitura de artefatos
(fabricação de
objetos e obras de
arte), a produção
deslocou-se da união
designer/produtor
para a gradual
separação entre
esses dois agentes.
Antigamente, um
artesão era ao mesmo
tempo o projetista e
o fabricante de um
objeto ou uma obra.
Já no contexto da
produção industrial,
o profissional que
aplica valores
estéticos aos
objetos que serão
produzidos
(designer) não é o
mesmo que os
executa. Assim,
indaga-se se é ele
quem cria e
determina esses
valores estéticos,
ou se eles já lhe
são passados, pelo
ambiente cultural,
ideológico ou
econômico.
Por exemplo: se
os cartazistas
russos do período
revolucionário
(1917-1922)
utilizavam
praticamente só
cores preta e
vermelha, isto era
uma condição imposta
pela economia de
guerra, que não
dispunha de
variedade de tintas,
ou era reflexo de um
discurso ideológico
extremista que
defendia altos
contrastes e opostos
bem definidos,
desprestigiando
nuances e
meios-termos?
Ou, por outro
lado, o estilo
Barroco da
Contra-Reforma
católica dá idéia de
riqueza e opulência,
fazendo frente à
austeridade sombria
da estética
protestante, que
pregava a
não-representação
(abolição do culto
às imagens de santos
etc.) e a ascese.
Embora não seja
fácil definir qual é
a relação
causa-e-conseqüência
do fenômeno, o certo
é que os valores
estéticos
impregnados num
trabalho e o
ambiente ideológico
estão
intrinsecamente
ligados, produzindo
discursos muito mais
do que verbais.
Assim, é possível
encontrar discursos
estéticos nas
instituições
(aparelhos
ideológicos do
Estado, segundo
Althusser, ou
aparelhos de
hegemonia, segundo
Gramsci), dentro do
que se considera
"cultura", e pode-se
considerar a
atividade de
comunicação visual
como produtora de
estética.
O que se propõe
como Discurso
Estético para as
imagens vale
igualmente para a
Música, a Poesia, a
Literatura e outras
manifestações
estéticas.
Escola Francesa
A proposta de um
novo objeto chamado
"discurso" surgiu
com Michel Pêcheux
na França, em sua
tese "Analyse
Automatique du
Discours" em 1969.
Na época ele
trabalhava em um
Laboratório de
Psicologia Social e
sua idéia era a de
produzir um espaço
de reflexão que
colocasse em questão
a prática elitizada
e isolada das
Ciências Humanas da
época. Para tanto,
ele sugere que as
ciências se
confrontem,
particularmente a
história, a
psicanálise e a
linguística. Este
espaço de discussão
e compreensão é
chamado de
entremeio, e o
objeto que é
estudado aí é o
"discurso". Assim, é
no entremeio das
disciplinas que
podemos propor a
reflexão discursiva.
Contemporaneo à
Pêcheux está Michel
Foucault, também na
França, e também
incomodado por
questões
semelhantes, mas
propondo uma outra
via de compreensão,
que ele também chama
de "discurso" por
exemplo em
"Archeologie du
Savoir". O discurso
de Pêcheux não é o
discurso de
Foucault. E se
pensarmos na
tradição anglofone a
distância aumenta,
porque o discurso de
Norman Fairclough
também não se
aproxima das
questões francesas.
O que temos são
vias, diferentes
possibilidades de
compreensão de um
problema posto
diferentemente por
cada autor. O que
significa que não há
uma "teoria" mais
aceita atualmente,
mas sim caminhos
teóricos que
respondem e
co-respondem em
parte às
necessidades de
reflexão que se
apresentam.
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