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/Linguística/

O estudo científico da linguagem verbal humana.


DISCURSO DIRETO - INDIRETO - INDIRETO LIVRE

1. VOZES PRESENTES NO TEXTO

Vocês já sabem que quando produzimos um texto, devemos pesquisar, ler outras obras, estudar e ouvir o que já foi escrito e produzido sobre o assunto. Iremos, com isso, adquirir conhecimento e, dessa forma, teremos conteúdo para podermos escrever. Há algumas normas, técnicas que nos orientarão na hora de citarmos algo que pesquisamos e estudamos. Vamos ver algumas delas nesta parte da aula.

1.1. DISCURSO DIRETO

No DISCURSO DIRETO transcreveremos literalmente a passagem do texto que selecionamos para aproveitarmos em nosso texto. Se acharmos que é importante para o leitor do texto que estamos produzindo, entrar em contato direto com o que o autor da nossa fonte disse/escreveu, devemos utilizar o DISCURSO DIRETO. Daremos uma maior CREDIBILIDADE ao que estamos querendo dizer. Platão & Fiorin (1996:182) definem algumas marcas importantes ao elaborar o discurso direto. Vejamos:

"a) Vem introduzido por um verbo que anuncia a fala do personagem ...Tais verbos costumam ser denominados verbos de dizer (dizer, responder, retrucar, afirmar, falar e outros do mesmo tipo).
b) Normalmente, antes da fala do personagem, há dois pontos e travessão.
c) Os pronomes, o tempo verbal e palavras que dependem de situação são usados literalmente, determinados pelo contexto em que se inscreve o personagem: o personagem que fala usa a 1ª pessoa; pra falar com o interlocutor, utiliza-se da 2ª pessoa; os tempos verbais são ordenados em relação ao momento da fala e assim por diante".

Vejamos outros exemplos:

1. Em seu livro Preconceito Lingüístico: o que é e como se faz, publicado em 1999, Marcos Bagno afirma que "O preconceito lingüístico fica bastante claro em certo tipo de afirmações que já fazem parte da imagem (negativa) que o brasileiro tem de si mesmo e da língua falada por aqui".
2. Bagno (1999:13) deixa explícita a idéia de que "O preconceito lingüístico fica bastante claro em certo tipo de afirmações que já fazem parte da imagem (negativa) que o brasileiro tem de si mesmo e da língua falada por aqui".
3. O autor esclarece que "O preconceito lingüístico fica bastante claro em certo tipo de afirmações que já fazem parte da imagem (negativa) que o brasileiro tem de si mesmo e da língua falada por aqui".(Bagno, 1999:13)
4. Em relação ao uso da língua percebe-se que:

- O preconceito lingüístico fica bastante claro em certo tipo de afirmações que já fazem parte da imagem (negativa) que o brasileiro tem de si mesmo e da língua falada por aqui. - esclareceu Bagno.

 

1.2 DISCURSO INDIRETO

Nesse caso não iremos transcrever literalmente as palavras de nosso autor
(fonte da nossa pesquisa). Queremos expor somente o sentido do pensamento daquilo que nosso autor quis dizer. Vejamos:

Platão & Fiorin definem o discurso indireto como sendo um procedimento que não transcreverá literalmente a fala do outro. Para os autores, o discurso indireto virá introduzido por um verbo que tenha o mesmo sentido de DIZER; será separado da fala do narrador por uma partícula introdutória – conjunções (que – se); o verbo virá em 3ª pessoa e o tempo verbal se correlacionará com o tempo em que se situa a narração. (1991:181-3)

VAMOS A OUTROS EXEMPLOS: Citarei algumas passagens do livro de Marcos Bagno "Preconceito Lingüístico – o que é e como se faz".

Bagno afirma que o ensino de português no Brasil estaria voltado para o modelo de fala e uso da língua praticada pelos falantes da língua portuguesa em Portugal. Para o autor, o Brasil, apesar dos mais de 170 anos de independência política, continuaria definindo formas certas e erradas de falar e escrever a partir de um modelo estabelecido pelos falantes Portugueses. (1996:26)

No livro Preconceito Lingüístico – o que é e como se faz, publicado em 1999, Marcos Bagno chama a atenção para os mitos existentes na língua portuguesa. O autor classificou dez mitos que desencadearão uma série de preconceitos nos falantes brasileiros.

1.3 DISCURSO INDIRETO LIVRE

Aqui já há uma conciliação entre os dois tipos de discurso (direto e indireto). A função do discurso indireto livre é eliminar os diálogos intermediários, dar uma certa afetividade às palavras e exteriorizar fragmentos do fluxo de consciência de uma personagem. Platão & Fiorin esclarecem que o DISCURSO INDIRETO LIVRE

"corresponde a uma espécie de discurso indireto do qual se excluíram: os verbos de dizer que anunciam a fala do personagem, a partícula introdutória (que, se)". Acrescentam ainda que: "o discurso indireto livre mescla a fala do narrador com a do personagem (...) cria um efeito de sentido que fica a meio caminho entre a subjetividade e a objetividade. Nele, são duas vozes que se expressam, a do narrador e a do personagem". (1996:184-5)

Os autores recorrem a um trecho da obra Vidas Secas de Graciliano Ramos para explicarem as três formas de discursos. Vejamos:

a) Discurso direto:

Baleia pensava: O mundo ficará todo cheio de preás, gordos, enormes.

b) Discurso indireto:

Baleia pensava que o mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes.

c) Discurso indireto livre:

O mundo ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes.

 

IMPORTANTE CONSULTAR SEMPRE:

Verificar as possibilidades de formação do discurso direto, indireto e indireto livre, considerando os tempos verbais (presente, pretérito, pretérito imperfeito e outros...) In: Othon, Garcia. Comunicação em prosa moderna. 17ªed. Rio de Janeiro: FGV, 1996. p.129-151.
 

 

2. CITAÇÕES

Há algumas possibilidades para realizar uma citação em seu texto. As explícitas quando se percebe a voz do outro, ou seja, quem fala, – Discurso Direto – nesse caso, utiliza-se o recurso das aspas (") e travessão (-). Ao utilizar o Discurso Direto, você estará mantendo a FIDELIDADE das palavras contidas no texto original. Outra possibilidade é PARAFRASEAR as palavras do autor citado.

Garcez organizou, em seu livro Técnicas de Redação; o que é preciso saber para bem escrever (2001:51), algumas expressões que poderão auxiliá-lo quando precisar inserir citações, exemplificações, idéias de conclusão e objetivos em seu texto.

Vou transcrevê-las a seguir:

INSERÇÃO DE CITAÇÕES INSERÇÃO DE EXEMPLO INSERÇÃO DE OBJETIVO INDICAM DIVISÃO DE IDÉIAS INDICAM CONCLUSÃO PARCIAL OU FINAL
a) Segundo o especialista.... a) Para exemplificar, podemos observar a) O que desejamos neste trabalho a) Em primeiro lugar...; em segundo...; por último a) Em vista disso podemos concluir...
b) De acordo com o que afirma..... b) Para comprovar o que foi dito b)O objetivo desta investigação b) Primeiramente...; depois....; em seguida....; finalmente... b) Diante do que foi dito
c)..... já afirmou que c) Como exemplo, pode-se observar c) Pretendemos demonstrar c) O primeiro aspecto é...; um outro aspecto é.... c) Em suma
d)Conforme...., em sua obra..... d)Assim, é o que ocorre no caso em que d)Procuramos comprovar d) Por um lado...; por outro lado... d) Em resumo
e) Exemplo disso é e) Estamos tentando provar e) Concluindo
f) Portanto
g) Assim

 

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

VOCÊ PODERÁ PESQUISAR A BIBLIOGRAFIA INDICADA ABAIXO:

GARCIA, Othon M. Comunicação em Prosa Moderna. 17ªed. Rio de Janeiro: FGV, 1996.
GARCEZ, Lucília H. do Carmo. Técnica de Redação: o que é preciso saber para bem Escrever. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
MEDEIROS, João Bosco. Redação científica – a prática de fichamentos, resumos, Resenhas. São Paulo: Atlas, 2000.
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. 21ª ed. São Paulo: Cortez, 2000.

 

 

 


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