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/Linguística/

O estudo científico da linguagem verbal humana.


A FONOLOGIA DO PORTUGUÊS

Abaixo está um apanhado da fonologia da língua portuguesa somente os sons e grafias mais comuns são dados, visto que uma listagem de todos os casos particulares e exceções exigiria um esforço extremamente demasiado. As diferenças entre o português europeu (PE) e o português brasileiro (PB) podem ser consideráveis e em alguns casos geram dificulades de inteligibilidade.
 

Vogais
 

   O português tem uma das fonologias mais ricas das línguas românicas, com vogais orais e nasais, ditongos nasais e dois ditongos nasais duplos. As vogais semifechadas /e o/ e as vogais semiabertas /ɛ ɔ/ são quatro fonemas separados, ao invés do espanhol, e o contraste entre elas é usaso para apofonia. O português europeu também possui duas vogais centrais, uma das quais tende a ser omitida na fala como o e caduc do francês.

Como o catalão, o português usa a altura vocálica para diferenciar sílabas tônicas de átonas; as vogais /a ɛ e ɔ o/ tendem a se tornar /ɐ e i ɨ o u/ quando átonas (embora /ɨ/ não ocorra na maioria dos dialetos do Brasil). Os dialetos de portugal são caracterizados pela redução de vogais em proporção maior que os outros. Os ditongos decrescentes seguido por uma das semivogais /i/ ou /u/; ainda que exista a ocorrência de ditongos crescentes, eles podem ser interpretados como hiatos.

Classificação das Vogais

De acordo com a sua pronúncia na palavra as vogais são classificadas em:

Orais ou nasais

Vogais orais: a, ɐ, e, ɛ, i, ɨ, o, ɔ, u

Vogais nasais: ɐ̃, ẽ, ĩ, õ, ũ

Abertas ou fechadas

Vogais abertas: a, ɛ, ɔ

Vogais fechadas: e, o, i,u

Tônicas ou átonas

Vogais tônicas: a, e, ɛ, i, o, ɔ, u

Vogais átonas: ɐ, ɨ, ʊ

Semivogais

   As semivogais são fonemas assilábicos que se aproximam dum som de vogal, mas soam fracamente; assemelham-se a consoantes porque se juntam a uma vogal para formar uma sílaba (ex.: na palavra mau, a letra u é uma semivogal e a é uma vogal). Em Português, os ditongos crescentes -- isto é, aqueles em que a semivogal vem antes da vogal -- surgem somente em alguns casos em que a ortografia preconiza usar "qu-" ou "gu-", nos quais acrescenta-se o som aproximante /w/ à frente de qualquer uma das vogais tónicas (inclusas as nasais); portanto, a fonologia portuguesa tradicionalmente não se ocupa deles. Já os ditongos decrescentes têm ocorrências mais amplas e fixas.

Expressando no AFI (pronúncia de Portugal):

Vogais orais
i vi vi  
e ve  
ɛ  
ɔ  
o so ( ou sow ) sou  
u ˈmudu mudo  
ɐ pɐˈɡaɾ pagar  
ɯ pɯˈgar (ou pɨgar) pegar  
Vogais nasais
ĩ vim  
ˈẽtɾu entro  
ɐ̃ ˈɐ̃tɾu antro  
õ som  
ˈmũdu mundo  
Ditongos decrescentes orais
aj saj sai  
ɛj ɐˈnɛjʃ anéis  
ej sej ( sɐj lisboeta ) sei  
ɔi mɔj mói  
oj ˈmoitɐ moita  
uj fuj fui  
iw viw viu  
ew mew meu  
ɛw vɛw véu  
aw maw mau  
Ditongos decrescentes nasais
ɐ̃j̃ mɐ̃j̃ mãe
ẽj̃ sẽj̃ cem
õj̃ ɐ'nõj̃ʃ anões  
ũj̃ ˈmũj̃tɐ muita  
ɐ̃w̃ mɐ̃w̃ mão

Consoantes

Consoantes são fonemas assilábicos que se produzem após vencer um obstáculo que se opõe à corrente de ar.

Expresso em AFI:

  Bilabial Dental Palatal Velar
Plosiva p b t d   k g
Nasal m n ɲ  
Aproximante lateral   l ʎ  
  Labiodental Alveolar Palatoalveolar Uvular
Fricativa f v s z ʃ ʒ ʁ
Tap   ɾ    
p ˈpatu pato  
b ˈbatu bato  
t ˈtatu tacto  
d ˈdatu dato  
k ˈkatɐ cata  
ɡ ˈɡatɐ gata  
m 'gɐ̃mɐ gama  
n 'gɐ̃nɐ gana  
ɲ 'gɐ̃ɲɐ ganha  
l falɐ fala  
ʎ faʎɐ falha  
f 'fejɐ feia  
v 'vejɐ veia  
s ˈkasɐ caça  
z ˈkazɐ casa  
ʃ ˈʃatu chato  
ʒ ˈʒatu jacto  
ɾ 'ɛɾɐ era  
ʁ 'ɛʁɐ erra  


OBS.: A letra h não é considerada vogal nem semivogal nem consoante, pois não é um fonema. Somente adquire importância juntando-se às letras c, l e n formando dígrafos e em início de palavras por motivos etimológicos.

 

 

 


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