Sujeito é o nome de uma função sintática. Isso significa dizer que é o nome que se atribui a um dos papéis que as palavras podem desempenhar quando se relacionam com outras palavras.
Para identificar o sujeito pode-se observar três aspectos:
- Concordância: o verbo deve concordar em número e pessoa com o sujeito.
- Posição: Normalmente o sujeito precede o verbo e, mesmo que venha após o mesmo, pode ser facilmente transposto para antes.
Sob a ótica da morfossintaxe, pode-se afirmar que sujeito é uma função substantiva, porque são os substantivos e as palavras de valor substantivo (pronomes e numerais, substantivos ou outras palavras substantivadas) que podem atuar como núcleos dessa função nas orações portuguesas.
Ex: Os alunos protestaram veementemente.
Todos os alunos protestaram veementemente.
Ambos protestaram veementemente.
Os pobres protestaram veementemente.
TIPOS DE SUJEITO
A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) considera somente estes tipos de sujeito:
DETERMINADO
É o sujeito que se pode identificar com precisão a partir da concordância verbal. Eles podem ser classificados como:
- Simples: quando o sujeito for constituído por apenas um núcleo, palavra mais importante do sujeito.
Ex: João grande ficou muito tempo atento à leitura. (Capitães de areia, Jorge Amado)
(núcleo)
A flor dos meus sonhos é moça bonita. (Segredo, Casimiro de Abreu)
(núcleo)
- Composto: é aquele constituído por dois ou mais núcleos. Os núcleos do sujeito desse tipo de sujeito são, quase sempre ligados pela conjunção “e”.
Ex: O sol, a lua e a terra foram criados por Deus.
(núcleo) (núcleo) (núcleo)
- Desinencial: quando fica subentendido na desinência do verbo. Ocorre em duas situações:
a) Quando perguntamos ao verbo quem é o sujeito e a resposta for os pronomes eu, tu ele (ela), nós, vós, eles (elas), sem estarem escritos na oração. O sujeito desinencial também pode ser chamado de elíptico.
Ex: Andamos a cavalo.
Quem andou? Resp.= Nós.
(O pronome não está expresso na frase, por isso é desinencial)
Penso, logo existo.
Quem pensa? Resp.= Eu.
(O pronome não está expresso na frase, por isso é desinencial)
b) Quando o sujeito não estiver escrito na oração, porém aparecer claro em outras orações anteriores.
Ex: Guilhermina bocejou. Iria adormecer? Pôs-se a calcular as horas.
Quem iria adormecer? Quem pôs-se a calcular?
(O sujeito desses verbos é Guilhermina, mencionado no primeiro período)
OBS: a designação sujeito oculto não é própria. A NGB acertadamente aboliu o termo, pois oculto significa que ele está escondido. O morfema “–mos” corresponde sempre a primeira pessoa do plural. Assim, pode-se afirmar que ele é desinencial ou elíptico.
INDETERMINADO
É quando a identidade do sujeito é desconhecida realmente ou escondida propositalmente. Ignora-se não só a identidade, mas o número de agentes.
Ex: Roubaram minha carteira.
“Divertem-se na mesma batida”. (Revista ISTO É, maio de2004)
Deve-se conversar para explicar a situação”. (Revista ISTO É, maio de2004)
Como se vê indetermina-se o sujeito de duas maneiras:
a) Colocando-se o verbo na terceira pessoa do plural sem referência ao pronome eles (e variação), nem a qualquer substantivo anteriormente expresso, o que o torna, este sim, um sujeito oculto, desconhecido literalmente em número e identidade;
b) Colocando-se os pronomes “se” junto de qualquer tipo de verbo na terceira pessoa do singular, exceto o transitivo direto.
OBERVAÇÕES GERAIS:
1 – Sujeito indeterminado não existe como elemento na oração; se o sujeito é representado por um pronome indefinido, não será indeterminado, mas simples, portanto nesse caso o sujeito existe como elemento, embora não lhe conheçamos a identidade.
Ex: Alguém esteve nesta sala.
Ninguém se manifestou na classe.
Convém lembrar que fazer análise sintática significa analisar todos os elementos estruturais da oração em relação aos demais. O problema da identidade do agente pertence muito mais ao terreno da lógica que ao da sintaxe. Caso contrário, teríamos de ver como indeterminado o sujeito desta oração: Um mascarado roubou o banco.
2 – É comum a ocorrência de um sujeito hipotético, geralmente representado pelo pronome isso, em que se resume algumas orações do período anterior ou dos períodos anteriores.
Ex: Seria ridículo, se não fosse cômico.
Tanto o sujeito de seria quanto o de fosse são um hipotético isso, que se refere a algo já expresso anteriormente.
Outros exemplos: Drogas. Se fosse bom, não teria esse nome (= Drogas. Se isso fosse bom, isso não teria esse nome)
Vão me atirar pedras. Pouco importa. (= isso pouco importa)
ORAÇÕES SEM SUJEITO
São as que trazem verbo impessoal. Verbo impessoal é o que não tem sujeito e se apresenta na terceira pessoa do singular. Os principais verbos impessoais são:
a) Haver, quando sinônimo de existir, acontecer, realizar-se ou fazer (em orações temporais)
Ex: Havia poucos alunos na classe. (Havia = existiam)
Houve muitas mortes na guerra do Iraque. (Houve = aconteceram)
Haverá reuniões nesta sala. (Haverá = realizar-se-ão)
Deixei de usar drogas há muitos anos. (há = faz)
OBS- Na língua popular se vê o uso do verbo ter como impessoal.
Ex.: Tinha poucos alunos na classe.
Teve muitas mortes na guerra do Iraque.
Terá reuniões nesta sala.
Deixei usar drogas tem muitos anos.
b) Fazer, ser e estar (quando indicam tempo).
Ex.: Faz invernos rigorosos no sul do Brasil.
Era primavera quando nos conhecemos.
Estava quente naquele dia.
c) Todos os verbos que indicam fenômenos da natureza são impessoais: chover, ventar, nevar, gear, trovejar, amanhecer, escurecer, etc. Quando, porém, se constrói: “Amanheci mal-humorado”, usa-se o verbo amanhecer em sentido figurado. Qualquer verbo impessoal empregado em sentido figurado, deixa de ser impessoal para ser pessoal.
Ex.: Amanheci mal-humorado. (sujeito desinencial eu)
Choveram candidatos para a seleção. (sujeito: candidatos)
Fiz doze anos no mês passado. (sujeito desinencial eu)
d) São impessoais, ainda:
1 – O verbo passar (seguido de preposição), indicando tempo.
Ex.: Já passa das dez.
2 – Os verbos bastar e chegar, seguidos da preposição “de”, indicando suficiência.
Basta de tolices.
Chega de bobagens.
3 – Os verbos estar e ficar em orações tais como: Está bem, Está muito bem assim, Não fica bem, Fica mal, sem referência a sujeito expresso anteriormente. Podemos, ainda, nesse caso, classificar o sujeito como hipotético, tornando-se tais verbos como pessoais.
4 – O verbo dar + para da língua popular, equivalente de ser possível.
Ex.: Não deu para comparecer a sua festa.
Dá para me emprestar uma grana?
OBSERVAÇÕES GERAIS
1 – A existência de orações sem sujeito nos leva a concluir que, em rigor, o sujeito não é exatamente um termo essencial da oração, classificação que adotamos por ser oficial. Mas preferencialmente, deveríamos chamar as orações sem sujeito de predicados isolados, porque este sim, é o termo essencial a qualquer oração; o sujeito só é essencial bimembre; nas orações unimembres ou impessoais, como já afirmamos, não pode sê-lo.
2 – Todos os verbos impessoais, quando acompanhados de auxiliares, transmitem a estes sua impessoalidade.
Ex.: Deve haver ainda muitos inadimplentes.
Começa a haver guerrilhas na região.
Começou a haver insultos na reunião.
Devia haver várias pessoas naquele congresso.
Tinha de haver brigas no comício.
Poderá haver outras guerras mundiais.
SUJEITO ORACIONAL – VERBOS UNIPESSOAIS
É aquele representando por uma oração. Esse tipo de sujeito ocorre quando o verbo é unipessoal. Verbo unipessoal é o que, tendo sujeitado, só se usa nas terceiras pessoas, do singular e do plural. Os principais verbos unipessoais são:
a) cumprir, importar, convir, doer, aprazer, parecer, ser (preciso, necessário,etc.).
Ex.: Cumpre trabalharmos bastante. (Sujeito: trabalharmos bastante)
Importa cuidar da saúde. (Sujeito:cuidar da saúde)
Convém que voltes cedo. (Sujeito: que voltes cedo)
Dói-me ver tanta miséria. (Sujeito: ver tanta miséria)
Apraz-me encontrá-la com saúde. (Sujeito: encontrá-la com saúde)
Parece que vai chover. (Sujeito: que vai chover)
É preciso que chova. (Sujeito: que chova)
b) Fazer e ir, em orações que dão idéia de tempo, seguidos da conjunção “que”.
Ex.: Faz dez anos que deixei de fumar. (Sujeito: que deixei de fumar)
Vai para (ou Vai em ou Vou por) dez anos que não vejo Cláudia. (Sujeito: que não vejo Cláudia)
Todos os sujeitos apontados são oracionais.
OBSERVAÇÕES GERAIS:
1) Consideramos unipessoal, e não impessoal, o verbo fazer seguido da oração inicial pela conjunção “que”, a nosso ver integrante. A NGB não trata dos verbos unipessoais, considerando todos os verbos só usados nas terceiras pessoas como impessoais, incorrendo num equívoco imperdoável.
Na frase “Faz dez anos que deixei de fumar”, a oração iniciada pelo conectivo é substituível pelo pronome substantivo isso, o que comprova seu valor substantivo:
Faz dez anos que deixei de fumar. (= faz dez anos isso)
Se, em vez desse pronome, usarmos uma expressão no plural, o verbo não poderá ficar no singular.
Faz dez anos isso. (= isso faz dez anos)
Fazem dez anos esses fatos. (= esses fatos fazem dez anos)
Quando se trata de pessoa, o verbo fazer é empregado em sentido figurado:
Fizeram dez anos essas crianças (= essas crianças fizeram dez anos)
Não nos parece coerente ver nas duas frases sentido figurado, caso contrário estaremos obrigados a ver também sentido figurado nas frases em que se usa a palavra “que”.
2) Os verbos onomatopaicos são todos unipessoais: latir, miar, grunhir, zurrar, cacarejar, pipilar, ornejar, matraquear, etc.