As
orações subordinadas adjetivas
têm esse nome porque equivalem a
um adjetivo. Em termos
sintáticos exercem a função que
normalmente cabe a um adjetivo,
a de um adjunto adnominal.
A conexão entre a oração
subordinada adjetiva e o termo
da oração principal que ela
modifica é feita, no caso, pelo
pronome relativo que.
Na relação que estabelecem com o
termo que caracterizam, as
orações subordinadas adjetivas
podem atuar de maneiras
diversas. Há aquelas que
restringem o sentido do termo
antecedente, individualizando-o
– são chamadas subordinadas
adjetivas restritivas
– e aquelas que realçam um
detalhe ou amplificam dados
sobre o antecedente, que já se
encontra suficientemente
definido – são as subordinadas
adjetivas explicativas.
-
ORAÇÕES SUBORDINADAS
ADJETIVAS RESTRITIVAS
Restringem, limitam a
significação do seu antecedente
(substantivo ou pronome). São
indispensáveis ao sentido do
período e não se separam da
oração principal por vírgula.
EX.: "O sol QUE SE FILTRA
ATRAVÉS DAS FOLHAS desenha no ar
colunas amarelas de poeira..."
(Jorge Amado)
"Há alunos QUE
PRATICAM ESPORTE.”.
"Mas pitangas são frutas
QUE SE ESCONDEM..." (Clarice
Lispector)
-
ORAÇÕES SUBORDINADAS
ADJETIVAS EXPLICATIVAS
Não limitam o sentido do
antecedente. Acrescentam uma
informação que pode ser
eliminada sem causar prejuízo
para a compreensão lógica da
frase. Vêm sempre separadas da
oração principal por vírgula.
EX.: “O Brasil, QUE É O MAIOR
PAÍS DA AMÉRICA DO SUL, têm
milhões de analfabetos."
"... recebi o pagamento
das mãos de meu pai, QUE ME DEU
UMA SOVA DE VARA DE MARMELO."
(Machado de Assis)
"Durante a noite, NA QUAL
ME FALTOU O SONO, meus
pensamentos giravam em torno
dela..." (M. Rubião)
·
PARTICULARIDADES
Ainda com relação às orações
adjetivas, devem-se considerar
os seguintes itens:
1) A oração subordinada adjetiva
pode ter um pronome como
antecedente:
Ex.: "Não sei o que vou
fazer."
-
Antecedente: o
-
Oração Subordinada adjetiva
restritiva: que vou fazer.
"Os que quiserem saiam
agora."
-
Antecedente: Os
-
Oração Subordinada adjetiva
restritiva: que quiserem
saiam agora.
"Sou
o que sou."
-
Antecedente: o
-
Oração Subordinada adjetiva
restritiva: que sou.
"Eu,
que não sei nada de inglês,
consegui conversar com ele."
-
Antecedente: Eu
-
Oração subordinada adjetiva
explicativa: que não sei
nada de inglês
2) A presença da vírgula pode
modificar o sentido global do
período:
"Teus filhos, QUE SÃO
BONITOS, serão fotografados."
(Oração subordinada adjetiva
explicativa)
"Teus filhos QUE SÃO BONITOS
serão fotografados."
(Oração subordinada adjetiva
restritiva)
No primeiro caso, todos os
filhos são bonitos e,
conseqüentemente, todos serão
fotografados. No segundo caso,
supõe-se a existência de filhos
bonitos e não-bonitos. Apenas os
bonitos serão fotografados. Veja
ainda estes exemplos:
"O Olavo Bilac que escreveu O
caçador de esmeraldas é um bom
escritor."
"O Olavo Bilac, que escreveu
O caçador de esmeraldas, é um
bom escritor."
Na primeira mensagem, o
emissor considera boa, dentre as
obras de Bilac, apenas O caçador
de esmeraldas. Na segunda
mensagem, todas as obras são
consideradas boas. Na primeira
frase, a oração é restritiva,
pois o nome perde a sua função
identificadora habitual de
substantivo próprio. Supõe-se a
existência de vários Bilac.
3) As orações subordinadas
adjetivas também podem vir
coordenadas entre si.
"Os poetas românticos, QUE
CULTIVAVAM O INDIVIDUALISMO E
QUE EXACERBAVAM SEUS SENTIMENTOS
E PAIXÕES, muito me agradam."
(Orações adjetivas explicativas
coordenadas entre si).
-
AS ORAÇÕES SUBORDINADAS
AJDETIVAS E A VIRGULAÇÃO
Existem dois tipos de orações
subordinadas adjetivas que agem
de forma diferente na
caracterização do termo que se
ligam, essas duas orações devem
ser claramente diferenciadas na
língua escrita. As orações
restritivas ligam-se intimamente
ao termo cujo sentido
particularizam, portanto não
podem ser separadas desse termo
por vírgulas. As orações
explicativas agem como uma
espécie de detalhe ou comentário
adicional ao termo que se ligam;
portanto devem ser isoladas por
vírgulas. Convém lembrar que o
papel restritivo ou explicativo
da oração depende muitas vezes
do significado que se quer dar
ao que se firma.
É muito comum o emprego de uma
vírgula depois de orações
subordinadas adjetivas
restritivas muito longas,
principalmente quando o verbo
dessa oração subordinada e o
verbo da oração principal são
contíguos, ou seja, estão lado a
lado.
Ex.: Muitas das estradas com que
generais megalomaníacos,
tecnocratas alucinados e
empreiteiros inescrupulosos se
locupletaram, estão abandonadas.