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GRAMÁTICA10

     

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A CRASE

A crase consiste na "fusão" de dois fonemas vocálicos iguais (a + a).

Por crase entende-se a fusão de duas vogais idênticas.

A crase é representada pelo acento grave = (à) = que se coloca sobre o "a". (= à).

Só se usa crase antes de nome feminino determinado, e regido da preposição "-a".

Só pode ser feminino determinado.

A CRASE SE DÁ EM:

a) Contração da preposição a com o artigo feminino "a".

b) Contração da preposição a com o pronome demonstrativo "a".

c) Contração da preposição a com o "a" que inicia os demonstrativos aqueles, aquela, aquilo, aquelas.

Exemplo:

Irei à escola-Irei àquela escola

Irei a a escola-Irei a + aquela escola

O verbo ir pede a preposição "a" e o substantivo "escola" pede o artigo feminino "a".

A + a = à

Irei à escola

Exemplo:

Falei à de saia branca =( à = a + aquela ) 

Falei a (= aquela) de saia branca.

Dei um livro àquele rapaz =

Deu um livro a aquele rapaz.

Levamos conforto àquela menina =

Levamos conforto a aquela menina.

Refiro-me àquilo que... =

Refiro-me a aquilo que...

Para que haja crase é necessário que se observe o seguinte:

a) A palavra seja feminina acompanhada de artigo feminino definido "a".

b) O verbo exige a preposição e o substantivo, o artigo.

c) Que a palavra que antecede o substantivo exija a preposição "a" por força de sua regência.

Ocorre crase nos seguintes casos:

a) Diante de palavra feminina, clara ou oculta, que não repele o artigo.

Como sabermos se a palavra feminina repele ou não, o artigo ?

Basta construi-lo em orações em que apareça regidos das preposições: "de", "em" e "por". Se tivermos meras preposições, o nome dispensa artigo.

Exemplo:

Vou a Copacabana

Vou a Vitória

Substituo o verbo ir (= vou) por: venho, passo, moro

Venho de Vitória.

Passo por Vitória.

Moro em Vitória.

Então:

Vou a Copacabana.

Vou a Vitória.

O "a" é mera preposição e as palavras Copacabana e Vitória repelem o artigo, por isso não se usa crase.

Porém, se houver necessidade de usar, respectivamente: da (= de + a); na (= em + a); pela (= por + a), a palavra feminina tem o artigo feminino definido "a", então haverá crase:

Exemplo

Vou à Bahia

Venho da Bahia

Moro na Bahia

Passa pela Bahia.

Houve contração da preposição de + a = da, em + a = na, por + a = pela por isso "a" da Bahia é craseado.

Vou à Bahia.

Outra regra prática para sabermos se o substantivo exige ou não, o artigo feminino definido "a".

Emprega-se a crase sempre que, substituindo-se o vocábulo feminino por um masculino, aparece a contração da preposição "a" com o artigo "o" = ao antes do nome masculino.

Eu vou a cidade

Posso dizer:

Eu vou ao Município

Logo na oração:

Eu vou a cidade,

O "a" da cidade deve ser craseado.

Se o nome feminino repelir o artigo, pode exigi-lo quando determinado por um adjunto.

Exemplo:

Eu vou a Roma

A palavra Roma repele o artigo feminino, porém se eu disser:

Eu vou a Roma dos Césares

A palavra Roma, agora, está determinada, então, craseia-se o "a" de Roma.

Eu vou à Roma dos Césares

Outro exemplo:

Eu vou a Copacabana.

Eu vou à Copacabana de minha infância

Ele foi a Minas

Ele foi à Minas de Tiradentes.

Podemos usar o seguinte meio mnemônico para o uso da crase:

Se vou a

E venho dá

Eu craseio o à

Exemplo:

Vou a festa

Venho da festa

Então eu craseio o "a" da festa.

Vou à festa

Se eu vou a

E venho dê

Crasear o a

Para quê ?

Exemplo:

Vou a são Paulo.

Venho de São Paulo.

A palavra São Paulo repele o artigo, então o "a" antes da palavra São Paulo é mera preposição, logo: Não se usa crase.

OBSERVAÇÃO:

Se venho-"da"-é "a" (com crase).

Se venho-"de"-é "a" (sem crase).

Vou à Grécia-Venho da Grécia

Vou a Santa Catarina-Venho de Santa Catarina  

É facultativo o uso da crase

 
a) Antes de Europa, Ásia, África, Espanha, França, Inglaterra, Holanda.

Exemplo:

Fui a França ou fui à França

Vou a Europa ou Vou à Europa

b) Antes de pronomes possessivos com substantivo claro

Exemplo:

Dirigiu-se à minha casa. Dirigiu-se a minha casa

c) Antes de nomes próprios femininos de pessoa

Exemplo:

As alusões eram feitas à Sebastiana

As alusões eram feitas a Sebastiana

d) Até a-

Exemplo:

Ele foi até à feira

Ele foi até a feira

Maria foi até à igreja

Maria foi até a igreja

ATENÇÃO:

Observe que o emprego de ATÉ A temos que prestar atenção na clareza ou verificar o conteúdo do que se quer dizer.

Veja o exemplo:

A água inundou a rua até à casa de Manuela (a água chegou perto da casa de Manuela)

Se não houvesse o sinal da crase, o sentido ficaria ambíguo.

A água inundou a rua até a casa de Manuela (inundou inclusive a casa de Manuela).

  • Não se usa a crase

1) Antes de nomes de cidades

OBSERVAÇÃO:

Os nomes de cidades não vêm acompanhados de artigo feminino.

Exemplo:

Iremos a Fortaleza.

Voltaremos a Natal.

Fomos a Manaus.

Fui a Brasília.

NOTA - Não podemos esquecer de que se os nomes de cidades tiverem adjuntos, então haverá a crase.

Exemplo:

Iremos à linda Fortaleza.

2) Antes de nomes de países, estado ou possessões, que não admitem o artigo definido feminino.

Exemplo:

Foram a Cuba.

Um grupo de jovens foi a Kênia.

Voltaremos novamente a Pernambuco.

3) Antes do artigo indefinido "uma".

Exemplo:

Vamos a uma reunião

Temos de ir a uma festa

4) Antes de pronomes relativos

Exemplo:

Eis a mulher, a cuja empregada enviamos donativos

OBSERVAÇÃO:

Só existe crase antes do pronome relativo "QUE" sendo o "a" pronome demonstrativo.

Exemplo:

Eis a minha história e outra à que fez referência

Refiro-me à que comprei ontem

Atenção:

Todo pronome relativo tem um substantivo (expresso ou não) como antecedente.

Para se saber se existe crase ou não diante de um pronome relativo, deve-se substituir esse antecedente por um substantivo masculino.

-Se o "a" se transforma em "ao", haverá crase antes do pronome relativo.

Porém, se o "a" permanece inalterado ou se transforma em "o" então não haverá crase, é preposição pura ou pronome demonstrativo

Exemplo:

O colégio a que me refiro precisa de professor (não se usa crase)

O restaurante a que me refiro precisa de empregados (não se usa case)

A mulher a quem me refiro é a diretora do colégio (não há crase)

O homem a quem me refiro é o professor do colégio (não se usa crase)

Veja com atenção:

A rua em que moro é perpendicular à que vai dar na praça (usa-se crase)

A carreira à qual aspiro é almejada por todos (usa-se a crase)

      5) Antes de pronomes interrogativos

Exemplo:

A que pessoa se refere você ?

A qual menina daremos o carro ?

6) Antes de pronomes pessoais e formas de tratamento

Exemplo:

Não dizem nada a ela.

Quero falar a Vossa Reverendíssima.

Dirijo-me a Vossa Senhoria.

Exceção feita para a palavra senhora, senhorita, dona, usa-se crase.

Exemplo:

Refiro-me à senhora.

Refiro-me à excelentíssima senhora.

Refiro-me à senhorita que está ali.

7) Na expressão a distância - não determinada

Exemplo:

Chamaram-no a distância.

Sonha-se a distância.

Não vejo bem, a distância.

Ela mora a certa distância.

OBSERVAÇÃO:

Se a palavra distância estiver determinada, definida, então haverá crase.

Exemplo:

O barco estava à distância de quarenta metros.

Ouviam os seus gritos à distância de duzentos metros.

O tiro foi à distância de trinta metros.

Ela namora à distância certa.

8 - Antes da palavra que estiver no plural e precedida de mera preposição "a" no singular

Exemplo:

Assistimos a cenas maravilhosas.

Estava sujeito a privações.

Falei a muitas pessoas.

Não vou a festas.

Refiro-me a moças lindas.

9 - Diante de palavra de sentido indefinido: uma, cada, certa, qualquer, toda, alguma.

Exemplo:

Falou a qualquer pessoa.

Disse a cada mulher.

Avisou a uma menina.

OBSERVAÇÃO:

Não podemos esquecer de que em se tratando de "uma", referindo-se a "hora", coloca-se a crase.

Exemplo:

10 - Antes de nomes masculinos

Exemplo:

Falei a José.

Louvamos a Deus.

Saí a serviço do Colégio.

11 - Diante de verbo(  Verbo é considerado palavra  masculina )

Exemplo:

Ficou a ver navios.

Este ano sou obrigado a estudar.

12 - Nas expressões formadas com a repetição do mesmo termo, (mesmo sendo nome feminino, por se tratar de pura preposição)

Exemplo:

De hora a hora.

Gota a gota.

Cara a cara.

Frente a frente.

Parte a parte.

Aurora a aurora.

Face a face.

Boca a boca.

13 - Não haverá crase antes de:

Exemplo:

Ela, elas, mim, ti, esta, estas, essa, essas, certa, certas, toda, todas, nenhuma, alguma, algumas... não aceitam artigo.

Exemplo:

Mudei a essa cidade...

Dei a um velhinho todo o meu carinho.

14- Diante da palavra casa na acepção de morada, residência. Constitui erro crasear o 'a" antes da palavra casa, empregada com o sentido de lar, residência, domicílio, desacompanhada de outros determinantes

Exemplo:

Eu vou a casa.

Voltarei cedo a casa.

Dirigi-me apressado a casa.

OBSERVAÇÃO:

Se a palavra casa tiver adjunto adnominal, determinando-a, usaremos a crase.

Exemplo:

Voltei à casa de Pedro.

Dirigi-me à casa de Maria.

Irei à casa da Moeda.

Voltarei cedo à casa de meu pai.

Irei logo à Casa Mineira.

Dirigi-me apressado à alegre casa.

15 - Diante da palavra terra (determinada) no sentido de terra firme ou chão firme, usaremos a crase.

Exemplo:

O corpo foi devolvido à terra.

Voltarei à terra onde fui batizado.

À terra o que é da terra.

Voltarei à terra onde nasci.

OBSERVAÇÃO:

A palavra "terra" no sentido de "volta" (na linguagem náutica) o "a" não será craseado.

Exemplo:

O navio já regressou a terra.

Depois de sessenta dias, os marinheiros chegaram a terra.

16 - Antes da palavra "hora" não determinada. Não usaremos a crase.

Exemplo:

Impossível, a uma hora desta, encontrar guardas de trânsito.

  • Usa -se a crase
a) Nos objetos indiretos:

Dei um presente à amiga

Narrei um fato às colegas

Assistimos às comemorações

Obedecemos às leis

O médico deu à moléstia um nome bárbaro

b) Nos complementos nominais:

O respeito às leis é um dever

A assistência às viúvas é uma necessidade

O amor à Pátria foi uma constante em sua vida

Ele é útil à Pátria

c) Nos adjuntos adverbiais

Eu vou à lendária Manaus

Nós vamos à reunião

Exceção feita para o adj. Adv. de instrumento

O rapaz feriu o amigo a faca

NOTA - Não se usa crase com palavra que funciona como:

1 - Sujeito

Exemplo:

A menina saiu

2 - Objeto direto

Exemplo:

Comprei a casa

3 - Adjunto adnominal

Exemplo:

Os meninos, as meninas, todos passaram.

d) Diante dos demonstrativos: a, aquele, aquela, aquilo, usa-se a crase no "a" de aquela, no "a" de aquilo, no "a" de aquele.

Exemplo:

Referiu-se àquele que estava ali.

Assistência àquelas pobres meninas.

Obedecia àquela exigência.

e) O substantivo feminino pode estar subentendido

Exemplo:

Sujeitou a rima do primeiro verso à do segundo

f) Diante de possessivo em referência a substantivo oculto

Exemplo:

g) Para evitar ambigüidade:

Exemplo:

Morrer à fome.

Pegar à unha.

Receber à bala

Costurar à mão

Vendo à vista.

Matar à fome.

Fazer à vela.

h) Diante de locuções constituídas de feminino plural.

Exemplo

Às vezes, às ocultas, às claras, às escondidas, às quatro da manhã, às apalpadelas, às pressas, às tontas, às voltas, às expensas, às escuras, às cegas, às direitas, às mil maravilhas, às moscas, às ordens, etc

i) Antes de nomes masculinos, subentendendo-se as palavras femininas "moda" ou "maneira"

Exemplo:

Ele veste à Roberto Carlos

Tem estilo à Rui

Vou cantar à Silvio Caldas.

Danças à cossaco.

Macarrão à italiana.

j) Diante de locuções constituídas do substantivo feminino singular

Exemplo:

À toa, à roda, à espera, à força, à parte, à mingua de, à larga, à uma hora, à noite, à guisa de, à procura de, à pressa, à vontade, à proporção que, à prova, à razão de, à medida que, à espreita, à baila, à falta de, à cunha, à direita, à guisa de, à disposição de, à esquerda, à mercê de, à margem, à tona, à tarde, à surdina, à sorrelfa, à sombra, à saúde, à risca, à revelia, à razão de, à rédea solta, à custa de, etc.

k) Antes de numeral, referindo-se a "hora":

Exemplo:

Sairei à uma hora da manhã

"Escreveu duas linhas de resposta, e à uma hora da tarde apeava-se de um tílburi".

(Machado de Assis-A Mão e a Luva-pág. 106)

"Sucedia, muito amiúde, encetar eu a minha banca de estudo à uma ou às duas horas da antemanhã."

(Rui Barbosa-Elogios Acadêmicos-pág. 368)

l) Antes de nome próprio de pessoa, precedido de preposição, se o tratamento for íntimo ou familiar.

Exemplo:

"Ofereci um romance à dama".

"Quanto à Sara".

Machado de Assis-Hist. Românticas-pág. 73)

"... pedir à Fidélia que nos dê um pedaço de Wagner".

m) As expressões: devido a, relativo a, referente a, quanto a, com respeito a, obediência a, etc.-devem ter o "a" craseado, vindo antes de nomes femininos.

Exemplo:

Devido à morte do irmão

Referente à prisão dos assassinos

Obediência às leis

n) A conjunção subordinada adv. proporcional.

À proporção que

À medida que

À proporção que chove, o rio sobe

 

 

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