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Arte de escrever em verso, que valoriza a forma e o ritmo das palavras, para despertar emoções e reações no leitor, além do limite de sua compreensão racional e consciente.
O verso é mais antigo que a prosa e as obras dos grandes poetas têm demonstrado que o ritmo próprio de um idioma manifesta-se plenamente na criação poética, tanto na que obedece a padrões métricos e estróficos predeterminados, quanto no verso livre, que segue apenas as pausas e os critérios rítmicos sugeridos pelas palavras escolhidas.
Versificação é a arte de fazer versos, de pôr ou compor em verso. A ordenação das palavras na poesia dá grande importância à forma, não como transmissora de um conteúdo, mas como desencadeadora de emoções e reações por parte do leitor, além dos limites de sua compreensão racional e consciente. Estreitamente ligada ao resultado sonoro que a leitura produz -- o que envolve o estabelecimento de um ritmo, por meio de repetições e contrastes --, a utilização do material fonológico com finalidade métrica compreende, em geral, o regramento da silabação e, em alguns sistemas, características prosódicas, como as rimas. Os versos sem rimas são chamados brancos. O modernismo introduziu um tipo de poesia em que a divisão dos versos -- chamados livres -- não se baseia em critérios predefinidos, mas em decisões que o poeta toma intuitivamente ou em normas por ele criadas.
Distinguem-se dois tipos básicos de metro: (1) silábico, no qual apenas se regula o número de sílabas; (2) silábico-prosódico, em que se exigem também certas características prosódicas. Se for exigida certa quantidade de sílabas, o metro é classificado como duracional ou quantitativo; a colocação das pulsações silábicas mais fortes e mais fracas em posições preestabelecidas é característica do metro dito dinâmico; a escolha de fonemas baseada nas variações de altura da entonação (mais grave ou mais aguda) define o metro tonal. Dentro de um mesmo sistema de versificação podem coexistir dois tipos.
Na poesia galaico-portuguesa diferenciam-se temática, estilística e metricamente as cantigas de amor, as de amigo e as de escárnio ou maldizer. Dentre as cantigas de amigo distinguem-se as paralelísticas (as estrofes pares repetem a idéia das estrofes ímpares, com ligeiras alterações). Os versos mais usados são o octossílabo e o decassílabo, ambos de caráter silábico. Entre os metros populares destaca-se o de sete sílabas. Verso genuinamente galaico-português é o de arte-maior, ou de nove sílabas, com variações. Outro metro utilizado é o alexandrino (de 12 sílabas), tendo a primeira metade, hexassilábica, terminação grave e a segunda, terminação aguda.
Em português, os metros mais comuns vão de uma a 12 sílabas. Até sete sílabas, o acento interno tem posição variável. Tradicionalmente, o verso de sete sílabas é chamado redondilho, verso de redondilha ou redondilha; o de seis sílabas é heróico quebrado; o de cinco chama-se redondilho menor; o de três, redondilho maior, redondilho quebrado ou cola.
O verso de 11 sílabas caiu em desuso com a prevalência do decassílabo. O dodecassílabo, alexandrino, foi usado com sua feição arcaica, à espanhola, tanto pelos neoclássicos como pelos românticos brasileiros. Com Machado de Assis passou a prevalecer o alexandrino clássico. O movimento modernista, que iniciou uma nova fase estética e influenciou a literatura e a arte em geral, introduziu na poesia brasileira o verso livre. |