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Composição poética de 14 versos, em geral rimados, dispostos em duas estrofes de quatro e duas de três versos. Surgiu na Europa, no século XIII.
Petrarca, Francesco
Escreveram sonetos alguns dos criadores das grandes literaturas do Ocidente, que com suas obras determinaram a consolidação das línguas vernáculas e o início da modernidade literária. Dante, Camões e Shakespeare, para só citar os maiores, foram mestres dessa forma que sobrevive quase sem alterações há 700 anos.
Soneto é uma composição poética de 14 versos, em geral rimados e dispostos em quatro estrofes, duas de quatro e duas de três versos. Admite número restrito de variações quanto à forma e segue normas rigorosas quanto ao conteúdo e desenvolvimento do tema. A rigidez de seus traços possibilitou que atingisse o fim do século XX intacto, tal como o praticavam aqueles que o fixaram: Dante, Petrarca, Shakespeare, Camões e outros clássicos.
Ao que tudo indica, o soneto foi criado na Sicília, onde era cantado na corte de Frederico II da mesma forma que as tradicionais baladas provençais. Na primeira metade do século XIII, porém, Giacomo da Lentino inventou o soneto como espécie de canção ou de letra escrita para música. Tinha um princípio par, o da oitava, seguido por um princípio ímpar, o dos tercetos, devido à mudança da melodia na segunda parte. Lentino deu assim uma forma fixa concisa e breve ao soneto. O número de linhas e a disposição de suas rimas, no entanto, permaneceu variável por algum tempo. No fim do século XIII, sua forma foi sistematizada por Guittone d'Arezzo e experimentada por Dante e Guido Cavalcanti. Foi Petrarca, contudo, quem difundiu o soneto em toda a Europa.
Essa composição poética aderiu, nos séculos seguintes, ao humanismo e também à devoção barroca. Na França do século XVI, esse formato tornou-se um dos principais meios de expressão de Ronsard, Du Bellay e Étienne Jodelle, do grupo da Plêiade. No Siglo de Oro espanhol, que se estendeu da segunda metade do século XV até o fim do XVII, marcou as obras de Garcilaso de la Vega, Góngora, Lope de Vega e Quevedo. Chegou em Portugal trazido por Sá de Miranda e foi levado à perfeição por Camões. Na Inglaterra, consagrou-se a variante de três quartetos e um dístico final, o chamado soneto inglês ou shakespeariano, sempre em decassílabos.
O soneto resistiu ao desprezo dos iluministas e foi cultivado, no século XIX, por românticos, parnasianos e simbolistas. No século XX, sobreviveu à revolução do verso livre modernista e se destacou na obra de modernistas radicais como Guillaume Appolinaire, Rafael Alberti e Fernando Pessoa.
O Brasil teve sonetistas de primeira linha em Manuel Botelho de Oliveira, no século XVII, Cláudio Manuel da Costa, no XVIII, e Alphonsus de Guimaraens e Cruz e Sousa, no XIX. Modernistas como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade também demonstraram algumas vezes maestria no soneto. O soneto voltou a aparecer em obras de Vinícius de Morais, Jorge de Lima e Mário Faustino.
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