Extinto
como
movimento
artístico
na
década
de
1930,
o
surrealismo
continuou
a
exercer
grande
influência
ao
longo
de
todo
o
século
XX.
Seus
postulados,
contrários
ao
pensamento
estético,
ético
e
político
tradicionais,
abriram
espaço
para
novos
símbolos
e
mitos
alheios
ao
racionalismo.
O
termo
surrealismo,
criado
pelo
escritor
Guillaume
Apollinaire,
designa
um
movimento
artístico
de
vanguarda
que
ocorreu
entre
as
duas
guerras
mundiais
principalmente
na
França.
Derivado
do
dadaísmo,
teve
no
crítico
e
poeta
André
Breton
seu
principal
ideólogo.
Da
literatura,
o
movimento
se
estendeu
às
artes
plásticas,
cinema,
teatro,
filosofia,
moda
e
também
ao
modo
de
vida.
O
movimento
foi
inaugurado
por
Breton
com
a
publicação
do
Manifeste
du
surréalisme
(1924;
Manifesto
surrealista).
No
artigo
"Les
Champs
magnétiques"
(1920;
"Os
campos
magnéticos"),
publicado
na
revista
Littérature,
Breton
definiu
o
traço
fundamental
do
surrealismo,
a
chamada
"escrita
automática".
Tratava-se
de
transmitir
diretamente,
sem
refletir
ou
concentrar-se
no
que
se
queria
dizer,
as
palavras
que,
sem
tema
preconcebido,
viessem
à
mente
de
forma
imediata.
Essas
frases
procederiam
diretamente
do
inconsciente
e
não
teriam
relação
lógica
entre
si.
Por
isso,
Breton
se
recusava
a
apagar,
refazer
ou
retificar
e
negava
o
exercício
da
crítica
sobre
a
escrita
automática,
considerada
por
ele
como
"texto
puro",
ou
poema
surgido
do
inconsciente.
Dessa
forma,
Breton
reagiu
contra
as
limitações
impostas
pela
razão
e
pela
ordem
social
estabelecida
e
pretendeu
criar
um
novo
código
de
poesia
e de
conduta
em
geral.
De
acordo
com
a
definição
que
ele
mesmo
formulou,
"surrealismo
é o
puro
automatismo
psíquico,
pelo
qual
propomos
expressar
verbalmente,
por
escrito
ou
por
qualquer
outro
meio,
o
processo
real
do
pensamento.
O
ditado
do
pensamento,
na
ausência
de
todo
controle
exercido
pela
razão
e na
ausência
de
toda
preocupação
estética
ou
moral".
Breton
afirmava
que
o
sonho
tem
realidade
objetiva
e
exerce
sua
influência
sobre
a
realidade
consciente
objetiva.
Se
para
Freud,
criador
da
psicanálise,
o
sonho
consiste
num
conteúdo
inconsciente
que
assume
formas
do
mundo
da
experiência,
para
Breton
o
sonho
é a
própria
experiência.
Em
seu
interesse
pelo
onírico,
Breton
refez
não
apenas
o
caminho
de
Freud,
mas
também
o de
outros
pensadores
e
escritores
interessados
no
mundo
subjetivo,
tais
como
Gérard
de
Nerval,
Rimbaud
e
Isidore-Lucien
Ducasse,
que
publicou
sua
obra
como
conde
de
Lautréamont.
Evocador
de
outras
correntes
estilísticas,
Breton
se
considerou
herdeiro
de
Chateaubriand,
Victor
Hugo,
Edgar
Allan
Poe,
Baudelaire
e
outros.
Entre
os
pintores,
escolheu
Uccello,
Seurat,
Gustave
Moreau,
André
Derain,
Picasso
e
Marcel
Duchamp,
entre
outros.
Pontos
de
referência
foram
também
as
teorias
de
Hegel
e
Marx.
Entre
os
poetas
e
escritores
que
aderiram
ao
"surrealismo
absoluto"
de
Breton
encontravam-se
Louis
Aragon,
Robert
Desnos,
Paul
Éluard
e
Philippe
Soupault.
De
início,
não
havia
pintores
no
grupo,
mas
no
notável
ensaio
Le
Surréalisme
et
la
peinture
(1925-1928;
O
surrealismo
na
pintura)
Breton
falou
sobre
a
existência
de
um
movimento
pictórico
paralelo
ao
literário.
O
modelo
surrealista
na
pintura
tinha
por
base
o
objeto
perturbador
e
mágico:
objeto
e
imagens
procedentes
do
sonho
e
formados
em
associações
livres,
de
forma
semelhante
ao
automatismo
verbal.
A
primeira
exposição
de
pintura
surrealista
foi
realizada
na
galeria
Pierre,
de
Paris,
em
1925.
Os
pintores
dessa
tendência
se
interessaram
pela
arte
das
crianças
e
dos
psicopatas.
Na
busca
de
uma
nova
linguagem,
recorreram
a
diversas
técnicas,
como
a
colagem,
o
frottage
etc.;
e
estilos,
que
oscilaram
desde
as
formas
abstratas
da
pintura
de
André-Aimé-René
Masson
aos
detalhes
de
efeito
nas
formas
concretas
de
Salvador
Dalí
e
René
Magritte.
A
pintura
surrealista
englobou
assim
diversas
tendências.
Embora
com
características
próprias,
a
escola
metafísica
italiana,
com
Giorgio
de
Chirico
e
Carlo
Carrà,
constituiu
um
movimento
paralelo.
Procedente
do
dadaísmo,
Max
Ernst
realizou
obras
surrealistas
plenas,
como
sucessões
de
imagens
contraditórias,
reflexo
de
seu
interesse
pelo
desconhecido
e
pelo
medo
irracional.
Yves
Tanguy
criou
formas
irreais
em
paisagens
marcadas
pela
profusão
de
detalhes.
Salvador
Dalí
realizou
suas
primeiras
obras
surrealistas
sob
influência
dos
metafísicos
italianos
e
empreendeu,
com
Luis
Buñuel,
as
primeiras
experiências
cinematográficas
surrealistas,
com
Un
chien
andalou
(Um
cão
andaluz),
em
1928,
e
com
L'Âge
d'or
(A
idade
de
ouro),
em
1931.
Dalí
desenvolveu
em
sua
pintura
o
que
chamou
de
método
paranóico-crítico,
que
propunha
uma
incursão
no
mundo
alucinatório
e
paranóico
para
liberar
as
imagens
inconscientes
com
maior
força,
transpondo-as
assim
com
sucesso
para
as
obras
e
para
a
própria
vida.
Em
suas
obras
abundam
imagens
múltiplas
distorcidas
mas
reconhecíveis.
Na
pintura
de
Magritte,
o
observador
se
encontra
com
uma
aparente
realidade,
na
qual
se
estabelecem
relações
absurdas
ou
ilógicas.
Paul
Delvaux
combinou
o
padrão
clássico
de
beleza
com
as
imagens
oníricas
de
personagens
em
estado
de
transe.
André
Masson
e
Joan
Miró
realizaram
uma
pintura
surrealista
abstrata.
Miró
empregou
a
técnica
do
desenho
automático
em
suas
representações
imaginárias
de
animais
ou
personagens
de
formas
caligráficas.
A
esses
devem
somar-se
os
nomes
dos
escultores
Jean
Arp
e
Alberto
Giacometti
e do
fotógrafo
americano
Man
Ray.
Aragon,
Louis;
Breton,
André;
Buñuel,
Luis;
Dadaísmo;
Dalí,
Salvador;
Éluard,
Paul;
Ernst,
Max;
Giacometti,
Alberto;
Magritte,
René;
Miró,
Joan;
Ray,
Man. |