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PONTO LITERÁRIO

   

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Os gêneros literários

Gênero vem de gênesis, que significa nascimento, origem.
 
    A literatura é a arte que tem a linguagem verbal como material expressivo. Essa linguagem funciona com base na conotação e na função poética, lançando mão de muitos recursos expressivos.
   A história é um fator fundamental para o entendimento de toda a literatura, pois traduz, através da linguagem, o momento histórico que lhe da origem. Portanto, quando falamos em gêneros literários, temos mais uma vez que levar em conta a historicidade: Eles evoluíram, transformando-se, misturando-se, uns sugiram, enquanto outros desapareceram, através dos séculos.
   O gênero poder ser considerado a maneira pela qual os conteúdos da literatura organizam-se numa forma. Isto é, cada gênero através de uma técnica e de uma estilística próprias (forma), representa um aspecto particular da experiência humana,
oferecendo determinada perspectiva sobre o homem e o mundo.
   Temos, então, três gêneros básicos: lírico, dramático e épico. Essa visão foi proposta pela primeira vez por Aristóteles, na Grécia antiga (384-322 a.C.). Prefere-se, atualmente, a divisão em lírico, dramático e narrativo, pois o épico praticamente desapareceu.
  

Gênero Lírico

    O termo Lírico provém de Lira, instrumento musical de cordas utilizado desde a Antiguidade Clássica para acompanhar as composições poéticas, que eram criadas para serem "cantadas" em voz alta.
    Nos textos líricos predomina a expressão dos sentimentos e das emoções individuais, sendo as formas poéticas as mais usuais para esse gênero. Neles o autor registra seu mundo interior, seus sentimentos e emoções, expõe seu eu, revela sua intimidade. A subjetividade, pois, é o principal traço desse gênero.

   No gênero Lírico podem ser encontradas muitas formas poéticas, algumas muito antigas, outras mais modernas, que se caracterizam por apresentar determinado numero de versos ou determinado ritmo. Geralmente são chamadas formas poéticas fixas. As mais comuns são:

      Soneto: Surgido na Itália, no sec.XIII, trata-se de um poema composto por quatro estrofes, sendo as duas primeiras quartetos (com quatro versos) e as duas ultimas tercetos (com três versos). É praticamente a única que chegou intacta até nossos dias.

      Elegia: Surgida na Grécia antiga, é um poema que trata de acontecimentos tristes ou da morte. 

      Écloga: Poesia de tema pastoril, que retrata a vida no campo, a vida bucólica.

      Idílio: Também poesia bucólica, com introdução de diálogos.

      Ode: De origem grega, como os demais, é poesia de exaltação de valores nobres, de tom entusiástico, tal como o hino, destinado a exaltação dos deuses ou da pátria. 

Gênero Dramático

   A palavra drama pode ter outros sentidos, associados geralmente a situação conflituosas, problemáticas, difíceis ou comoventes. É por isso que podemos falar de núcleo dramático de um texto, seja ele teatral ou não. 
   A esse gênero pertencem os textos escritos para serem representados, essa finalidade está expressa na palavra grega drama: ela significa ação.
    O texto dramático realiza-se na encenação; ele dispensa narrador que conduza a história; são atores que usam a palavra e, através da representação, fazem com que o enredo se desenvolva. Assim, o gênero dramático realiza-se totalmente no espaço teatral.

              O gênero dramático compreende as seguintes modalidades:

       Tragédia: é a representação de um fato trágico, suscetível de provocar compaixão e terror. Aristóteles afirmava que a tragédia era "uma representação duma ação grave, de alguma extensão e completa, em linguagem figurada, com atores agindo, não narrando, inspirando dó e terror".

       Comédia: é a representação de um fato inspirado na vida e no sentimento comum, de riso fácil, em geral criticando os costumes. Sua origem grega está ligada às festas populares, celebrando a fecundidade da natureza.

       Tragicomédia: modalidade em que se misturam elementos trágicos e cômicos. Originalmente, significava a mistura do real com o imaginário.

       Farsa: pequena peça teatral, de caráter ridículo e caricatural, que crítica a sociedade e seus costumes; baseia-se no lema latino Ridendo castigat mores (Rindo, castigam-se os costumes).

        Auto: Peça curta, geralmente de conteúdo religiosos ou profano, surgida na Idade Media e representada por ocasiões das grandes festas religiosas, nos pátios ou no interior das igrejas e muitas vezes nas praças. Tem conteúdo simbólico, pois atores não representam seres humanos,mas entidades abstratas, tais como: o pecado, a hipocrisia, a bondade, a virtude, a luxuria, etc. Ainda há autores populares brasileiros que escrevem autos, principalmente no Nordeste, como por exemplo, Ariano Suassuna.

Gênero Épico

    A palavra "epopéia" vem do grego épos, ‘verso’+ poieô, ‘faço’ e se refere à narrativa em forma de versos, de um fato grandioso e maravilhoso que interessa a um povo. É uma poesia objetiva, impessoal, cuja característica maior é a presença de um narrador falando do passado (os verbos aparecem no pretérito). O tema é, normalmente, um episódio grandioso e heróico da história de um povo.

              Dentre as principais epopéias (ou poemas épicos), destacamos:

       Ilíada e Odisséia (Homero, Grécia; narrativas sobre a guerra entre Grécia e Tróia).

       Eneida (Virgílio, Roma; narrativa dos feitos romanos)

       Paraíso Perdido (Milton, Inglaterra)

       Orlando Furioso (Ludovico Ariosto, Itália)

       Os Lusíadas (Camões, Portugal)

       Na literatura brasileira, as principais epopéias foram escritas no século XVIII:

       Caramuru (Santa Rita Durão)

       O Uraguai (Basílio da Gama)


                                     
Gênero Narrativo
    O Gênero narrativo é visto como uma variante do gênero épico, enquadrando, neste caso, as narrativas em prosa. Dependendo da estrutura, da forma e da extensão, as principais manifestações narrativas são o romance, a novela e o conto. 
   Em qualquer das três modalidades acima, temos representações da vida comum, de um mundo mais individualizado e particularizado, ao contrário da universalidade das grandiosas narrativas épicas, marcadas pela representação de um mundo maravilhoso, povoado de heróis e deuses.
   As narrativas em prosa, que conheceram um notável desenvolvimento desde o final do século XVIII, são também comumente chamadas de narrativas de ficção.

· Romance: narração de um fato imaginário, mas verossímil, que representa quaisquer aspectos da vida familiar e social do homem. Comparado à novela, o romance apresenta um corte mais amplo da vida, com personagens e situações mais densas e complexas, com passagem mais lenta do tempo. Dependendo da importância dada ao personagem ou à ação ou, ainda, ao espaço, podemos ter romance de costumes, romance psicológico, romance policial, romance regionalista, romance de cavalaria, romance histórico, etc.

· Novela: na literatura em língua portuguesa, a principal distinção entre novela e romance é quantitativa: vale a extensão ou o número de páginas. Entretanto, podemos perceber características qualitativas: na novela, temos a valorização de um evento, um corte mais limitado da vida, a passagem do tempo é mais rápida, e o que é mais importante, na novela o narrador assume uma maior importância como contador de um fato passado.

· Conto: é a mais breve e simples narrativa centrada em um episódio da vida. O crítico Alfredo Bosi, em seu livro O conto brasileiro contemporâneo, afirma que o caráter múltiplo do conto "já desnorteou mais de um teórico da literatura ansioso por encaixar a forma conto no interior de um quadro fixo de gêneros. Na verdade, se comparada à novela e ao romance, a narrativa curta condensa e potencia no seu espaço todas as possibilidades da ficção".

· Fábula: narrativa inverossímil, com fundo didático, que tem como objetivo transmitir uma lição moral. Normalmente a fábula trabalha com animais como personagens. Quando os personagens são seres inanimados, objetos, a fábula recebe a denominação de apólogo. 

    A fábula é das mais antigas narrativas, coincidindo seu aparecimento, segundo alguns estudiosos, com o da própria linguagem. No mundo ocidental, o primeiro grande nome da fábula foi Esopo, um escravo grego que teria vivido no século VI a.C. Modernamente, muitas das fábulas de Esopo foram retomadas por La Fontaine, poeta francês que viveu de 1621 a 1695. O grande mérito de La Fontaine reside no apurado trabalho realizado com a linguagem, ao recriar os temas tradicionais da fábula. No Brasil, Monteiro Lobato realizou tarefa semelhante, acrescentando, às fábulas tradicionais, curiosos e certeiros comentários dos personagens que viviam no Sítio do Pica-pau Amarelo.

 

 

 
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