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Gênero musical de compasso
binário e tipo de dança de
origem afro-brasileira. De ritmo
sincopado e andamento variado, é
tocado com instrumentos de
percussão e tem como base o
violão ou o cavaquinho. As
letras falam da vida urbana ou
de amor.
A palavra samba, entre os
quiocos de Angola, significa
"cabriolar, brincar, divertir-se
como cabrito"; entre os
bancongos angolanos e
congoleses, "dança em que um
dançarino bate contra o peito do
outro". As duas formas têm a
mesma origem do termo quimbundo
di-semba, que quer dizer
umbigada – coreografia na qual
os participantes se tocam pela
barriga. O gênero deriva de
danças de roda africanas, como o
lundu, e, sobretudo, do maxixe,
o primeiro bailado brasileiro,
criado por volta de 1875. Vindo
da Bahia, seu erotismo
escandaliza a aristocracia do
Rio de Janeiro no final do
século XIX.
A primeira gravação de samba é
Pelo Telefone, em 1917, cantada
por Bahiano e composta por Mauro
de Almeida (1882-1956) e Donga
(1889-1974). Mais tarde, a
música espalha-se pelo Brasil e
domina o Carnaval. Nessa fase,
os principais nomes são Sinhô
Ismael Silva (1905-1978) e
Heitor dos Prazeres (1898-1966).
Nos anos 30, o samba passa a ser
difundido pelas rádios. Como
grandes compositores destacam-se
Noel Rosa autor de Conversa de
Botequim; Cartola de As Rosas
Não Falam; Dorival Caymmi de O
Que É Que a Baiana Tem?; Ary
Barroso, de Aquarela do Brasil;
e Adoniran Barbosa 1910-1982),
de Trem das Onze. Entre os
intérpretes, Cyro Monteiro ganha
projeção nacional com Falsa
Baiana, de Geraldo Pereira
(1918-1955), autor importante do
samba de morro carioca. De uma
geração mais nova, sobressaem
Paulinho da Viola, Jorge Aragão,
João Nogueira, Beth Carvalho,
Elza Soares, Dona Ivone Lara,
Clementina de Jesus, Chico
Buarque, João Bosco e Aldir
Blanc. Os mais importantes nomes
do gênero, de diferentes épocas,
são Pixinguinha, Ataulfo Alves
Carmem Miranda, Elton Medeiros,
Nelson Cavaquinho, Lupicínio
Rodrigues, Aracy de Almeida,
Demônios da Garoa, Isaura
Garcia, Candeia, Elis Regina,
Nelson Sargento, Clara Nunes,
Wilson Moreira, Elizeth Cardoso,
Jacob do Bandolim e Lamartine
Babo.
Bahia, Rio de Janeiro e São
Paulo – Os sambas mais
conhecidos são os da Bahia, do
Rio de Janeiro e de São Paulo. O
samba baiano é mais próximo do
lundu e do maxixe, com melodia
simples, muito balanço e ritmo
repetitivo. Obedece à forma
verso-e-refrão; sem o refrão, é
denominado samba-corrido. Uma de
suas variações é a lambada,
derivada direta do maxixe. No
Rio de Janeiro, o gênero surge
como samba-de-roda nos morros.
Dele se origina o samba urbano,
que se espalha por todo o
Brasil. É quebrado, com mais
suingue, de partido alto, um
meio-termo entre o samba baiano
e o paulista. As letras
apresentam forte conteúdo social
e aspectos da terra, muitas
vezes em forma de crônica. Em
São Paulo, o samba passa do
domínio negro para o caboclo.
Preocupa-se mais com a harmonia,
a melodia e a elaboração,
devido, em parte, à influência
italiana. Era dançado por pares
abraçados.
Principais tipos de samba:
Samba-enredo–Estilo criado no
Rio de Janeiro nos anos 30 para
os desfiles das escolas de
samba. É a descrição do tema
desenvolvido pela escola. Até a
década de 60, tem letras longas
que exaltam principalmente a
história do país, seus
personagens, o folclore e a
literatura. A partir dos anos
70, os temas incluem crítica
social e política e aspectos da
cultura popular universal.
Samba-canção–Ritmo lento que
destaca a melodia. Criado nos
anos 20, possui letras
românticas e sentimentais.
Alcança sucesso com Ai, Ioiô
(1929), de Luís Peixoto
(1889-1973).
Samba de partido alto–Uma das
formas mais antigas de samba com
formato fixo de canção. Era o
estilo dos grandes mestres. As
letras são improvisadas sobre
temas do cotidiano. Renova sua
força nos anos 40 nos morros
cariocas e nas escolas de samba.
Os compositores Moreira da Silva
(1902-), Martinho da Vila
(1938-) e Zeca Pagodinho estão
entre seus principais nomes.
Pagode – Nascido em São Paulo, é
vagamente ligado ao partido-alto
– a melodia é fácil, linear e
repetitiva, como o sambalada. É
o chamado samba de fundo de
quintal, comum também na Bahia e
no Rio de Janeiro. Com letras
românticas, usa instrumentos de
percussão e teclado. Destacam-se
os grupos Fundo de Quintal,
Negritude Jr., Só Pra
Contrariar, Raça Negra e
Katinguelê.
Samba de breque–Ritmo sincopado
com paradas súbitas chamadas
breques, que permitem ao cantor
encaixar comentários, geralmente
humorísticos. Um dos mestres é
Moreira da Silva (1902-).
Samba carnavalesco–Sambas
compostos para dançar e cantar
nos bailes de Carnaval.
Samba-choro–Aproveita o fraseado
instrumental do choro, com a voz
substituindo a flauta. Surge em
1930.
Samba-exaltação – Possui melodia
extensa e letra patriótica, com
ênfase no arranjo orquestral. Um
exemplo é Aquarela do Brasil, de
Ary Barroso gravada em 1939 por
Francisco Alves.
Samba de gafieira–Modalidade
sincopada e instrumental criada
na década de 40 pelas orquestras
de salão, feita para dançar.
Samba de quadra–Temas
apresentados nas quadras de
ensaio das escolas de samba,
terreiros, encontro de
sambistas, almoços, festas e
aniversários.
Sambalada–Ritmo lento e
comercial da década de 50
conhecido como balada.
Corresponde ao típico pagode
paulista dos anos 90.
Sambalanço–Nasce nos anos 50 nas
boates cariocas e paulistas, com
influência do jazz. Um dos
expoentes é Jorge Ben. Evolui
para uma mistura de bossa nova,
maracatu, jongo e rhythm &
blues, dando origem ao
samba-rock. |
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