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Abreviação para rhythm and
poetry (ritmo e poesia), gênero
musical criado em meados da
década de 70, em Nova York
(EUA), por adolescentes negros e
hispânicos. Caracteriza-se pelo
ritmo acelerado, disco beat, a
quase inexistência de melodia e
harmonia e um longo discurso
entoado. As letras, em geral
longas, são quase recitadas e
utilizam gírias dos guetos e das
gangues que habitam os bairros
pobres das metrópoles
norte-americanas. O rap
combina-se com a arte visual dos
grafites e ao break, dança de
movimentos bruscos, sincopados e
de malabarismo.
Entediados com a disco music, e
por não ter dinheiro para dançar
nos clubes, esses jovens se
apropriam do funk pesado da
disco, extraem mostras de suas
músicas favoritas (como as de
James Brown) e as mixam em seus
próprios arranjos, usando-as
como base musical de suas
apresentações. É somente com a
incorporação do elemento MC (o
mestre-de-cerimônias), com seu
discurso ritmado sobre a base
musical e a declamação de
poesias de rua inicialmente
improvisadas, que o gênero se
define como rap. O lançamento
oficial ocorre em 1979, com o
disco Rapper’s Delight, do grupo
Sugarhill Gang. Africa Bambaataa
e sua banda Soul Sonic Force
lançam obras fundamentais, como
Planet Rock (1982) e Renegades
of Funk, em dueto com James
Brown, em 1984.
O rap é, em regra, executado por
uma dupla. Um DJ (disc-jóquei)
cuida da parte sonora, ou seja,
dos efeitos especiais obtidos
pelas mixagens, enquanto os MCs
se encarregam do texto. Quando
utiliza melodia, recebe o nome
de hip hop. Logo no começo do
movimento, o músico Grand
MasterFlash cria o scratch,
efeito percussivo provocado pelo
atrito intencional do vinil com
a agulha de um toca-disco. Os
scratchings são rapidamente
assimilados pela cultura rap-hip
hop. Entre os pioneiros
destacam-se Public Enemy, Ice
Cube, Ice T, Run DMC, Beastie
Boys, Kurtis Blow, NWA, Tupac
Shakur, Salt’N’Pepa, Queen
Latifah, Notorious B.I.G.,
Roxanne Shante e DJ Cheese.
No final da década de 80, o rap
mistura-se a outros gêneros.
Surgem o jazz rap, ou acid jazz,
o raggamuffin (mistura com o
reggae) e o dance rap. Há ainda
o rap consciente, que trata de
problemas políticos e sociais,
cujo principal porta-voz é o
Public Enemy; e o gangsta rap,
que fala basicamente de brigas
entre gangues e tem forte apelo
sexual. Entre os grandes nomes
do rap estão Snoop Doggy Dogg,
LL Cool J, Wu-Tang Clan, Sean
"Puffy" Combs, Cypress Hill,
Coolio e Junior Mafia. Ainda no
final dos anos 80, o acid jazz
ganha vários adeptos, como US3,
Digable Planets, Guru’s
Jazzmatazz, MC Solar e The
Pharcyde. Em Bristol, na
Inglaterra, o grupo Massive
Attack cria um novo gênero para
o rap – o trip hop, um rap mais
lento, compassado, melodioso e
introspectivo. Rapidamente o
Massive Attack torna-se o maior
nome da vertente e dezenas de
outros novos grupos de trip hop
seguem seu caminho, como o
anglo-brasileiro Smoke City.
Rap no Brasil – Na América
Latina, o gênero nasce em São
Paulo (SP), em 1986, num evento
realizado no Teatro Mambembe
produzido e apresentado pelo DJ
Theo Werneck. Inicialmente, as
pessoas não aceitam muito bem
esse tipo de manifestação
musical, que se mantém
marginalizada e confinada nas
periferias das grandes cidades,
como São Paulo, Rio de Janeiro,
Belo Horizonte e Porto Alegre.
Somente na década de 90 o rap
começa a ganhar espaço na mídia
e na indústria fonográfica. Além
dos pioneiros Thayde & DJ HUM,
surgem novos nomes, como
Racionais MCs, Câmbio Negro,
Pavilhão 9, Detentos do Rap, Da
Guedes, Xis & Dentinho, Planet
Hemp e Gabriel, O Pensador.
Outros gêneros musicais
incorporam o rap a seus sons,
como no movimento mangue beat a
música de Chico Science & Nação
Zumbi, e muitos grupos de
pop-rock. Os discursos do rap
brasileiro mostram uma grande
variedade de novos talentos e
expressões, mas a base musical
ainda não acompanha essa
evolução. O rap norte-americano,
por exemplo, tem base musical
mais rica, diversa e criativa,
em arranjos, samples, mixes,
composições e planos de
gravação. |
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