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BLUES

Blues no Brasil 

Gênero da música popular norte-americana criado por escravos negros que trabalhavam nas plantações do sul dos Estados Unidos (EUA) em meados do século XIX. Caracteriza-se pela improvisação musical, pelo modo incomum de seleção das notas musicais (é tocado no semitom, chamado blue mode) e pelo uso das inflexões menores que o intervalo de um semitom, conhecidas como blue notes, recurso típico da música africana e que dá ao gênero um caráter melancólico e intenso. Enquanto trabalhavam, escravos e ex-escravos cantavam canções sobre o trabalho, com letras repletas de ironia sobre a terra, a vida e os amores diários. O blues ajudava a aliviar as tensões do dia-a-dia. 

O blues nasce como gênero musical simples, acessível a instrumentistas e cantores sem conhecimento formal de música. No fim do século XIX, com o término da escravidão, os cantores de blues são itinerantes que acompanhavam a si mesmos no violão. Freqüentemente eram gravados por talentosos pré-empresários. Genuína música folk americana, o blues tem seu desenvolvimento completo depois de 1900. Possibilita o nascimento do jazz no começo do século XX e exerce grande influência em toda a música pop. 

O primeiro blues, Crazy Blues, é gravado em 1920 por Mammie Smith. Outras gravações pioneiras são feitas por Leadbelly (1889-1949), Robert Johnson (?-1938), Blind Lemon Jefferson (1897-1929) e Jelly Roll Morton (1890-1941). Também se destacam nomes como Charley Patton (1887-1934), Son House (1902-?), Bukka White (1906-1977) e Tommy Johnson (1896-1956). Muitos deles, décadas depois de mortos, influenciaram decisivamente a música pop do pós-guerra graças aos discos que deixaram gravados. 

A I Guerra Mundial, a crise de 1929 e a migração dos negros ajudam a propagar o blues. No começo dos anos 30, a banda de Count Basie e outros artistas de Kansas City introduzem fortes elementos de blues nas big bands de jazz, na "swing era". Isso permitiu que o bop ganhasse acentuadas características de blues. Estimulado pela nascente indústria fonográfica, ele floresce em Chicago, Atlanta, Mississippi e Detroit, e passa a tratar de temas urbanos. Os race records, discos produzidos para a comunidade negra, popularizam Bessie Smith (1894-1937), Ma Rainey (1886-1939) e Billie Holiday (1915-1959). 

Em 1940, o boogie woogie blues instrumental tocado no piano – faz do gênero uma música dançante, representada por pianistas e compositores como Memphis Slim e Rooselvelt Sykes. Guitarristas-cantores e compositores como John Lee Hooker e Lightnin’ Hopkins ganham importância. Ainda no início dos anos 40, desenvolve-se informalmente um novo gênero do blues – o rhythm’n’blues, de ritmo mais forte e dançante, precursor do rock’n’roll dos anos 50. Esse blues urbano utiliza microfones e guitarras elétricas para ser ouvido nos barulhentos bares noturnos. Chicago é um dos maiores centros do gênero, com nomes como Muddy Waters, Willie Dixon, Little Walter, Otis Rush, Howlin’ Wolf e Otis Spann, todos inspirados pelos músicos da década de 20. 

No princípio dos anos 50, músicos brancos como Paul Batterfield, John Kerner, John Hammond e Dave Van Ronk ganham destaque. B.B. King, que começara a se apresentar nos anos 40 numa emissora de rádio de Memphis, torna-se um dos expoentes da época, assim como Albert King e Freddie King. Depois de assimilado pelos primeiros roqueiros, o blues americano apresenta mais uma geração de músicos, como Junior Wells, Buddy Guy, Jimmy Dawkins e Hound Dog Taylor. 

Na década de 60, a nova geração de cantores e bandas de rock tomam o rhythm’n’blues como influência maior. Na Inglaterra surgem nomes importantes como Rolling Stones e John Mayall e sua banda BluesBreakers. 

No começo dos anos 70, o blues é retrabalhado por grupos de Heavy Metal. Em contrapartida, nos anos 80, o texano Albert Collins, a cantora Koko Taylor, Johnny Copeland e Robert Cray apresentam-se como resgatadores do gênero. Entre os cantores brancos, os principais são Johnny Winter, Roy Buchanan e Steve Ray Vaughan. 

Blues no Brasil – As bandas de rock dos anos 60 absorvem o blues por intermédio do rhythm’n’blues. Destacam-se grupos como Made in Brazil, Joelho de Porco, O Terço e Os Mutantes, além de Raul Seixas. O Brasil não se caracteriza por um forte cenário ou movimento de blues, apesar de o gênero ter um grande público. Dos anos 80 até 1999, os maiores nomes são Nuno Mindelis, André Christovam, Celso Blues Boy e as bandas Blues Etílicos e Big Allanbik.

 
 
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